Há algumas semanas a escola onde estudo em João Pessoa vem fazendo uma série de “melhoramentos” na sua área de segurança. Medidas simples como a instalação de câmeras, alarmes e a contratação de seguranças para permanecer durante todo o dia na porta do colégio. Fiquei curioso e perguntei o porquê daquilo tão repentinamente. A resposta me surpreendeu.
- A irmã (trata-se de uma escola católica) está acatando o pedido dos pais dos alunos do infantil. Eles disseram ter medo de acontecer aqui o que aconteceu em Realengo.
Usando de toda a educação que é possível usar para me referir a atitude desses pais: Eles precisam estar de sacanagem.
Tem alguma coisa, no mínimo, muito errada na cabeça dessas pessoas de chegar a imaginar – melhor, temer – que vá acontecer em uma escola como a qual eu estudo algo se quer parecido com o “Massacre de Realengo”. Especulando, mas com bastante convicção, para a irmã ter cedido às pressões, esses pais são pessoas “de posses” com algum poder de barganha, então temos um retrato assim. Ricos covardes ensinando suas crianças ricas a serem covardes, não se defenderem do mundo e ainda pagar outros para levar o tiro por você. Palmas.
Independente de estar ensinando alguém ou não, nós jamais – jamais mesmo – devemos nos tornar reféns do medo. Temos a obrigação de não ditar nossa vida no passo que querem aqueles que margeiam a sociedade e a lei. Não é porque um pivete pode me assaltar que eu vou deixar de andar na rua. Não é porque pode ter arrastão que eu vou deixar de ir à praia. Se é assim que esses pais pensam... Que façam o melhor e tirem logo seus filhos da escola, afinal, eles podem levar um tiro de um maníaco religioso lá dentro.
Nós já precisamos viver enjaulados, com portas trancadas e suando de calor por não poder abrir a janela à noite e só precisamos disso, porque fomos e somos indiferentes à violência. Achamos que é dever da polícia cuidar disso e esquecemos que a polícia serve a nós, que somos os comandantes dos comandantes daqueles que saem pelo morro colhendo suborno para fazer vista grossa para os nossos assassinos. A sociedade está doente e nós somos a sociedade.
Existem vários tipos de pessoas, claro, e podemos separar aqueles que fazem a diferença e os inúteis. Reféns do medo são inúteis.