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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O Falso Revolucionário


            O Conversa da Semana noticia e comenta muitas das “marchas” que acontecem pelo nosso país e fora dele. Como muitas coisas, as manifestações populares têm em sua origem um ideal justo e verdadeiro, lutando contra a repressão e feitas por pessoas que realmente estavam engajadas e/ou vivendo a causa. Essas manifestações, cujo nome popular do momento é marcha, continuam tendo ideais muito bacanas e, em sua absoluta maioria, justos, mas as pessoas que fazem parte delas...
        Bem, falemos sobre corrupção. O brasileiro de uma forma geral (finalmente!) está aprendendo que corrupção é uma coisa errada. (Não vou mexer na ferida e falar que “todo mundo” ainda rouba o lápis do coleguinha na escola, falarei apenas do campo político.) E, como está na moda, também organizaram marchas contra a corrupção. Uma proposta muito bacana de novo, com organizadores sérios que realmente tentam mudar algo, mas agora entra uma figura nova na nossa sociedade... O falso revolucionário.
         Se você estuda, faz faculdade ou convive com outras pessoas em um ambiente fechado de trabalho, provavelmente conhece uma penca dessas figuras. Pessoas que vivem abrindo a boca para falar mal da conjuntura “político-sócio-econômica” do município, do estado E do país (e possivelmente até da dos Estados Unidos) e... só. É, só. Mais nada. O revolucionamento para por aí. Agora me diz... Eu posso com uma coisa dessas?
         Mas tudo bem, pelo menos a pessoa está participando, né. Só que aí, o nosso amigo falso revolucionário, volta para a sua humilde (risos) residência depois da marcha e vai para as redes sociais dizer: “Caraaaaaca, mt booom lá na #MarchaContraCorrupção – tem q fazer sua parte msm!” Com um link para uma foto onde ele aparece com o rosto pintado de verde e amarelo e sua roupinha apertadinha sorrindo e fazendo pose no meio de outros iguais a ele. Na boa... Vai... ali no shopping, vai =)
         Marchas estão tão na moda que até Jesus tem uma agora.
        Quero deixar uma coisa clara antes que apareça alguém para dizer em comentários que eu estou me opondo a quem tem vontade de participar das manifestações “por um Brasil melhor”. Não. Jamais. Quem lê o que eu escrevo aqui no blog sabe que é justamente isso que eu busco, eu só estou repreendendo quem “participa”, porque está na moda (fingir) se preocupar com os problemas. Eu acho ótimo que as pessoas saiam às ruas, toda mudança só vem através da luta, mas, por favor, que só saia à rua quem realmente estiver disposto a lutar pela mudança.
Obrigado. 

sábado, 10 de setembro de 2011

Esse é o meu Brasil!


 “Esse é o meu Brasil!” É uma frase muito bonita, de fato. Precisamos encher a boca e estufar o peito para falá-la. “Esse é o meu Brasil!”, ele é meu, não seu, mas meu. E é assim que todos os pseudo-patriotas que usam essas palavras com tom pejorativo e sarcástico deveriam pensar, pois o Brasil deles, o Brasil “sem concerto”, o “país de ladrões” é o Brasil deles, e não o meu.
         
E sabe o que é mais legal ainda? É que essas pessoas, a maioria da população, vão a ginásios ou eventos esportivos quaisquer e gritam euforicamente que são brasileiros e mais, repletos de orgulho e amor. Imagino as conversas dentro dos carros, no engarrafamento para voltar para casa ao fim do dia. “Olha esse trânsito? Tinha que ser no Brasil mesmo! E ainda querem fazer Copa do Mundo aqui.” Bem, uma novidade aos que cantam o mesmo refrão batido nos ginásios brasileiros desde, pelo menos, quando eu me entendo por gente. Equipes esportivas não são o nosso país e nem representam ele. Selecionados de atletas são, olha que surpresa, selecionados de atletas. Não um país, por mais que seja essa a imagem que é vendida.
         
O país, o Brasil de verdade, é o povo. O povo e as nossas riquezas, nossas matas, nossa bandeira, nossa cultura, nossa multicultura, nossa miscigenação, nossa música, só que disso a massa não se orgulha. Ninguém bate no peito pra dizer que tem orgulho de ser brasileiro quando uma fatia da população deixa o nível da pobreza, ninguém bate no peito para dizer que é brasileiro quando o país se torna credor do FMI. Ninguém bate no peito para dizer que é brasileiro quando uma mãe solteira com dois empregos vê um filho passar para a universidade depois de tanto sacrifício.
         
A que conclusão nós podemos chegar? Que o brasileiro, este que canta, tem orgulho do Giba, do Leandrinho, do Neymar, mas não consegue ter orgulho dele próprio.
       
Eu espero que vocês também percebam que a algo errado com isso. Um país onde o povo se desmerece, ataca à política e continua insistindo nos mesmos erros burros em relação a ela, uma pátria que dá motivos de orgulho aos seus filhos e é renegada. O Brasil é uma mãe que apanha do filho viciado.
   
Falando com toda a honestidade possível e sem sensacionalismo, dói muito em mim quando eu escuto alguém de dizer que tem vergonha de ser brasileiro. De verdade. Sinto um aperto no peito e uma tristeza repentina ao pensar que um filho da terra não a quer bem. Dói quando escuto alguém dizer que gostaria de ter nascido em outro lugar, por mais que seja uma questão de escolha, foi aqui que você nasceu, e é essa a sua pátria. Nós não escolhemos nossos pais ou nossas mães, mas nós os amamos, da mesma forma deveria ser com o nosso país para que não nos coloquemos em estado de comparação com aqueles que rejeitam os seus pais, aqueles que lhes deram a vida. O Brasil não deu vida a nenhum brasileiro, mas é este país, sua cultura e sua estruturação social que lhe fazer ser o que é hoje, pois você produto do teu meio e é este o teu meio.       

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Desigualdades sociais: por quê?



Vivemos em uma sociedade extremamente desigual e essa diferença se expressa das mais diversas maneiras. Não é necessário muito esforço ao caminhar nas ruas para se achar mendigos dormindo sob viadutos ou marquises cobertos por folhas sujas de jornal. Uma pequena volta pelas grandes cidades do mundo e descobrimos favelas aonde pessoas literalmente se amontoam para tentar sobreviver em condições subumanas. Mas por que isso?


Uma das questões geradoras da desigualdade, se analisarmos a discriminação como fator de exclusão, é o gigante preconceito existente no mundo “antigo” contra os negros e os resquícios dele na sociedade moderna. Os brancos, sabe seu Deus o porquê, julgaram-se superiores aos seus irmãos africanos e começaram a tratá-los como ‘coisa’ e mesmo o fim da escravidão não pôs um fim a essa história


O documento abolicionista brasileiro, assinado em 1888, continha três linhas. Três únicas e cruéis linhas. Ele previa o fim da escravidão – o que era algo de suma importância, é verdade – e mais nada. Os negros estavam livres... O que isso representou na prática? Milhares de miseráveis, analfabetos, sem perspectivas de crescimento, ainda vistos como mercadoria por muitos que, por não saberem fazer mais nada, acabaram as vidas em suas antigas fazendas em troca de comida e teto ou foram formar as favelas do primeiro parágrafo.


Outro cofator da desigualdade é a concentração de rendas. Não é segredo para ninguém que a grande fatia da economia do nosso país retém-se nas mãos de uns poucos empresários, políticos, celebridades espontâneas sem talento, entre outros tantos ricos que gozam do luxo de uma vida de confortos e privilégios enquanto o sertão nordestino apresenta IDHs tão bons quanto os de países africanos, vítimas de um duplo golpe de desrespeito à vida em seus territórios.


Berço negro da Terra, a África teve seus melhores homens e mulheres arrancados dos braços de seus países e famílias para serem tratados como bichos em nossas terras. Homens de linhagem real tornaram-se coisa. Todo um continente foi devastado pela irracionalidade e falta de respeito dos seus irmãos (?) brancos. Como se já não bastasse a prática escravista que assolou a África até meados do século XIX, a partir do fim do tráfico de seres-humanos, outra crueldade foi imposta àqueles países historicamente humilhados. O imperialismo dos países capitalistas ricos e suas imposições sobre os fracos governos africanos, trataram de acabar de vez com a estabilidade no continente que hoje sofre com a miséria extrema, a fome, doenças e guerras civis que se arrastam desde o fim do século passado.


O homem consegue ser mau para o homem. O homem é bicho e, como bicho, talvez seja pensar o seu maior defeito. As maldades cometidas por nós contra nós mesmos em favor de interesses mesquinhos são responsáveis pelo mundo ruim que há lá fora. São as desigualdades – provocadas pelo nosso pensar ser melhor, estar fazendo o melhor, saber que não está e mesmo assim fazê-lo – mencionadas anteriormente que causam a criminalidade e a própria maldade que é fruto da vingança social da maldade dos homens antigos.


Respondendo a pergunta chave desse texto, o porquê das desigualdades sociais é o próprio homem indo em favor dos seus interesses e contra o homem. É o homem transpirando o que há de pior nele. Nós somos os responsáveis e somos nós que temos a obrigação de corrigir isso.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Maconha

O tema sempre está em evidência, mas de uns meses para cá, vem se intensificando um aspecto da discussão que nunca teve muitos adeptos além do círculo dos usuários. A legalização. Não preciso dizer do que se trata, nem do que faz e nem de quantas pessoas já usaram a droga. O assunto hoje não é para saber se a erva faz mal para quem a consome, o que devemos ter em mente sempre que falarmos sobre a sua regularização agora é se ela faz mal para nossa sociedade. Precisamos decidir se o usuário de maconha é um personagem perigoso no contexto do bem-estar coletivo ou se ele pode ser apenas mais uma pessoa – como todas aquelas que não aparecem nas revistas semanais – que circula entre nós sem nos chamar atenção, ser apenas ordinário.

Falando sobre a minha experiência pessoal, conheço diversas, mas diversas pessoas mesmo, que são usuárias de maconha e jamais causaram nenhum tipo de perturbação à ordem pública, ou prejudicaram seus familiares ou a si próprias seja durante o consumo ou por causa dele.

Porém há o outro lado da moeda. Desses casos, eu não conheço nenhum exemplo, mas em conversas sobre o assunto, contaram-me histórias em que um usuário da droga destruiu não somente a sua vida, como a todo o seu ciclo familiar por causa da maconha. E não é segredo para nenhum de nós que grande parte dos assassinados cometidos no país, em especial aqueles em áreas mais pobres são relacionados ao consumo (e especialmente ao tráfico) das drogas.

E é este o argumento mais forte, no meu ponto de vista, para que se justifique a legalização da maconha: O combate ao tráfico de drogas. Não, eu não acho que seja a maneira ideal, acho que a ideia da repressão policial ao tráfico é, no mínimo, a mais lógica, porém não dá certo. E não dá certo há décadas. E não dará certo nas próximas décadas também. Por isso é necessário que se tente uma outra alternativa e, talvez, a legalização da venda e do consumo seja a melhor delas e a que tenha mais chances de eficácia em um curto período de tempo. A droga permaneceria com o potencial de estragar uma ou outra vida, mas todos sabem o que fazem quando experimentam, porém os homens armados sairiam de cena.

Eu sou a favor da legalização por a enxergar como alternativa. Esteja livre para ter a sua opinião e defendê-la.

O Conversa da Semana perguntou no Facebook qual era a opinião das pessoas. Até o momento (02/08/2011), o resultado aponta que a maioria das pessoas que acompanham o blog são contrárias à legalização da droga. Hoje, os números são 83 votos SIM e 104 votos NÃO. Quem quiser votar também e expressar sua opinião, basta clicar aqui.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Marcha das Vadias

Acontecerá amanhã (dia 02 de julho) em Copacabana aqui no Rio de Janeiro a Marcha das Vadias. Antes de qualquer comentário equivocado por parte de quem esteja lendo, o evento vai às ruas protestar contra a violência sofrida pelas mulheres. Segundo informações da Carta Manifesto do movimento somente no estado do Rio – e nos três primeiros meses desse ano – 1246 mulheres e meninas foram estupradas. São quatorze por dia. No Brasil, são 15 mil por ano.

O evento é significativo. Há tempos a mulher busca a igualdade de direitos e, mesmo que em teoria a tenha, todos nós sabemos que a coisa não funciona exatamente assim. A visão da carta manifesto pode parecer um pouco extremista, porém não é contada nenhuma mentira e o ponto de vista defendido pelas idealizadoras do projeto é, independente da sua opinião, louvável.

A marcha surgiu em Toronto, no Canadá depois de a então universitária Jaclyn Friedman ter sido violentada por seus colegas de universidade que saíram impunes. Na situação, um policial responsável pelo caso disse que “Se a mulher não se vestir como uma vadia, reduz-se o risco de ela sofrer um estupro.” Daí o nome Marcha das Vadias (SlutWalk, no original).

A manifestação já aconteceu em vários países, além do Canadá, mulheres dos Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, a Grã-Bretanha, Holanda, Suécia, Argentina e Índia já foram as ruas gritar o direito do controle sobre os seus corpos. A Marcha também já teve edições nove edições no Brasil e amanhã acontecerá simultânea a do Rio a edição soteropolitana.

O importante disso é mostrar a necessidade de se abolir urgentemente a cultura do estupro. Gente retardada que diz que a mulher foi violentada, porque sua roupa era muito provocativa. Se não se aguenta, animal, vai pro banheiro. O senhor Paulo Maluf já chegou ao cúmulo de dizer “estupra, mas não mata”, como se estuprar fosse algo irrisório. Como se não destruísse a vida de uma pessoa. Eu ia adorar ver alguém estuprando esse cara e depois chegar na cara dele e perguntar: “Não mata, né?”

Exaltei-me. Pois bem... Seria muito legal que quem mora no Rio pudesse ir amanhã às duas horas para o Posto 4 em Copacabana participar do evento. Até agora 1484 pessoas já confirmaram a presença na página do evento no Facebook, além de todas as outras que não confirmaram, mas vão mesmo assim. Eu mesmo farei o que der para ir, além de outros colunitas aqui do Conversa que marcarão presença no evento.

Vou deixar uns links aqui para quem estiver interessado em se aprofundar um pouco mais na Marcha, ou tirar dúvidas sobre a edição carioca.

Ensopados da História: Marcha das Vadias

Página no Facebook (onde encontra a Carta Manifesto)

Reportagem do jornal O Globo

Somos todas as mulheres do mundo! Mães, filhas, avós, putas, santas, vadias…todas merecemos respeito!


sábado, 25 de junho de 2011

Reféns do medo

Há algumas semanas a escola onde estudo em João Pessoa vem fazendo uma série de “melhoramentos” na sua área de segurança. Medidas simples como a instalação de câmeras, alarmes e a contratação de seguranças para permanecer durante todo o dia na porta do colégio. Fiquei curioso e perguntei o porquê daquilo tão repentinamente. A resposta me surpreendeu.


- A irmã (trata-se de uma escola católica) está acatando o pedido dos pais dos alunos do infantil. Eles disseram ter medo de acontecer aqui o que aconteceu em Realengo.

Usando de toda a educação que é possível usar para me referir a atitude desses pais: Eles precisam estar de sacanagem.

Tem alguma coisa, no mínimo, muito errada na cabeça dessas pessoas de chegar a imaginar – melhor, temer – que vá acontecer em uma escola como a qual eu estudo algo se quer parecido com o “Massacre de Realengo”. Especulando, mas com bastante convicção, para a irmã ter cedido às pressões, esses pais são pessoas “de posses” com algum poder de barganha, então temos um retrato assim. Ricos covardes ensinando suas crianças ricas a serem covardes, não se defenderem do mundo e ainda pagar outros para levar o tiro por você. Palmas.

Independente de estar ensinando alguém ou não, nós jamais – jamais mesmo – devemos nos tornar reféns do medo. Temos a obrigação de não ditar nossa vida no passo que querem aqueles que margeiam a sociedade e a lei. Não é porque um pivete pode me assaltar que eu vou deixar de andar na rua. Não é porque pode ter arrastão que eu vou deixar de ir à praia. Se é assim que esses pais pensam... Que façam o melhor e tirem logo seus filhos da escola, afinal, eles podem levar um tiro de um maníaco religioso lá dentro.

Nós já precisamos viver enjaulados, com portas trancadas e suando de calor por não poder abrir a janela à noite e só precisamos disso, porque fomos e somos indiferentes à violência. Achamos que é dever da polícia cuidar disso e esquecemos que a polícia serve a nós, que somos os comandantes dos comandantes daqueles que saem pelo morro colhendo suborno para fazer vista grossa para os nossos assassinos. A sociedade está doente e nós somos a sociedade.

Existem vários tipos de pessoas, claro, e podemos separar aqueles que fazem a diferença e os inúteis. Reféns do medo são inúteis.


quinta-feira, 16 de junho de 2011

Corrupção anunciada

-Créditos ao Mauro Cezar Pereira-





Nesta quarta-feira, dia 15 de junho, a Câmara dos Deputados cumpriu com as minhas expectativas e prestou-se a mais um papelão. Dos grandes. Desde o começo da polêmica sobre os atrasos nas obras de infraestrutura e dos estádios em si para a Copa do Mundo FIFA Brasil 2014 eu venho dizendo sempre que alguém toca no assunto que “tudo faz parte do plano”. Dizendo que o governo estava deixando a situação ficar quase irremediável para poder aprovar as obras em caráter de urgência e burlar a lei de licitações (talvez até sem ter maior conhecimento sobre ela, confesso) aumentando, por tabela, a possibilidade de superfaturamento – que já era bastante considerável. E olha só o que aconteceu...





Nossos queridos deputados que escolhemos com o coração ciente de que seriam o melhor para o país (Tiririca, por exemplo) aprovaram uma Medida Provisória concedendo à FIFA e ao presidente da CBF Ricardo Teixeira liberdade para modificar projetos e PREÇOS das obras para o Copa. E tem mais, a MP também mantém o SIGILO DO ORÇAMENTO tanto paro o mundial de futebol quanto para os Jogos Olímpicos Rio 2016. Tudo para facilitar um rombo gigantesco nos cofres públicos para a organização destes dois megaeventos.





A nível de informação, o Senado ainda precisa aprovar a medida, mas como a maioria da casa é situação (que votou sim), isso não deve ter maiores problemas.





Uma das coisas que mais me deixou indignado - porque eu até entendo os políticos de carreira que compõe a Câmara aprovarem esta vergonha - é que nomes que em teoria são defensores do esporte, que são nomes do povo, disseram sim. Estou me referindo ao deputado Acelino Popó do PRB da Bahia, ex-boxeador, e ao deputado Romário do PSB do Rio de Janeiro – que poucos dias atrás convocava o Sr. Ricardo Teixeira para depor - que mostraram, assim como o Tiririca que também votou a favor, que são incapazes de ocupar a cadeira que têm e que serviram de bonecos aos “seus partidos” de interesses duvidosos.





Para os meus colegas eleitores paraibanos ficarem cientes da besteira óbvia que fizeram nas urnas, segue a lista dos deputados daqui que votaram a favor da Medida Provisória.





Damião Feliciano do PDT – Que surpresa!


A turminha do Maranhão no PMDB - Benjamin Maranhão, Manoel Junior e Nilda Gondim.


Luiz Couto do PT – Até o senhor, seu Padre?







Corremos sérios riscos de notícias deste tipo tornarem-se rotina nos noticiários sérios e imparciais deste país nos próximos cinco anos. Cinco anos de roubo grande. A obra do Maracanã não custará menos de um bilhão para nós, pode escrever. E depois... O que vai se fazer com os estádios enormes em Manaus, em Cuiabá, em Brasília? O futebol dos times locais não vai sustentá-los. E o legado das Olimpíadas, será o mesmo do Pan? Se você mora no Rio responda, em que os Jogos Pan Americanos de 2007 melhoraram a sua vida?





E aí, a gente vai deixar isso acontecer de novo?

terça-feira, 7 de junho de 2011

Em que você acredita?


Não é uma pergunta exatamente fácil de ser respondida. É preciso mensurar as coisas que se vai dizer para não sofrer discriminação ou ser excluído do grupo presente por não ter as mesmas ideias que eles. Por mais retardado que isso seja, somos preconceituosos, e eu não vou falar de cor e do que gera essa segregação, vou falar da intolerância que nós temos com as pessoas que possuem uma visão diferente da nossa.

Fato número um, eu tenho o direito de acreditar no que eu quiser. Se eu acho que vacas alienígenas vão invadir a Terra atirando com raios gama em todas as nossas vacas para ficarem com nossos bois, a opinião é minha e é problema seu se não concorda, mas você precisa me respeitar. Assim como precisa respeitar os cristãos e os ateus, ou o cara que torce pro outro time, ou quem quer que seja.

Fato número dois, eu posso falar o que eu penso. E você também pode! Não se sinta acuado por achar que se contar que você é alguma coisa ou que não concorda com outra, você estará arrumando problemas. Falar a verdade sempre, sempre é melhor. Se alguém vai te recriminar por isso, azar o dele, ele é o “ser humano ridículo, limitado”.

Fato número três, cara, tua vida é curta. Muito curta. E vai passar voando se você perder seu tempo preocupado em moldá-la conforme os outros à sua volta querem. É clichê, mas seja você mesmo. Também não vai sair por aí matando ou perturbando a ordem, é preciso saber viver em sociedade, você não é mais um macaco.

Esse momento revoltado e não-literário é só porque já deu de ver no armário, não to falando de homossexualidade, por favor, mas todo mundo. Gente, vocês vão se sentir muito melhor quando não tiverem mais medo de dizer em que vocês acreditam, eu me sinto, por mais que isso dê merda de vez em quando. Mas vale a pena tentar.

domingo, 29 de maio de 2011

Este é o mundo em que vivemos



Ficamos um pouco parados nesses dias e, para compensar, voltamos hoje com mais uma novidade para você que lê o Conversa da Semana. Agora você também pode nos "ver". Este é o primeiro vídeo produzido para o blog e gostaríamos de saber o que vocês acharam da ideia nos comentários.

sábado, 21 de maio de 2011

É hoje!

Esta pode ser a última vez que estou escrevendo um texto. Pode ser a minha última madrugada fazendo coisas inúteis na esperança de uma pontinha de sono chegar e me levar para a cama. Esta pode ser a última vez que lêem o que eu escrevo, talvez a última vez que lêem. E para quem é virgem, essa é uma boa hora para se ter pressa! É hoje!

Não é segredo, o mundo inteiro tomou um choque ontem, dia 20 de maio, quando seguidores das ideias do matemático evangélico Harold Camping tomaram as ruas pelo mundo afirmando, categoricamente, pela segunda vez, baseados em um sistema numérico que o próprio Harold inventou, que o mundo acaba hoje! Não passaremos do dia 21 de maio do ano de 2011 depois do nascimento de Jesus Cristo.

Agora todas as coisas pelas quais estamos passando fazem sentido, todas as provações as quais somos obrigados a vencer periodicamente, tudo tem uma razão. Os onze Big Brothers Brasil, os dois mandatos de George W. Bush, Justin Bieber, Restart, Rebecca Black, Mensalão, Jair Bolsonaro, Tiririca, a Dança do Quadrado! Eram sinais e, nós, que não somos tão iluminados quanto o senhor Camping, não os enxergamos.

Pois é, chegou a hora do Juízo Final. E você estava preocupado com dezembro de 2012, né? Deu-se mal, foi fazer planos para fazer as coisas malucas que queria só no ano que vem, olha aí a zebra agora. Mas veja o lado bom disso. Não vai ter BBB em 2012!

Falando sério por um parágrafo ou dois agora. A irmã que é diretora da escola que eu estudo me disse uma vez que não devemos julgar as pessoas, mas como eu não prestei muita atenção, eu digo que o seu Harold aí colocou na cabeça que queria ser conhecido, isso desde pequeno, que queria fazer alguma coisa da qual as pessoas lembrassem. Chegou aos 89 anos sem conseguir lá muito sucesso e teve sua grande ideia. Vou assombrar as pessoas com aquilo que elas mais temem: o fim dos tempos! (risadas malignas aqui)

(Deu meia noite agora e eu ainda estou vivo, Mr. Camping.)

Porém, para tristeza, esse velho senhor fracassou em sua última e desesperada tentativa de fazer parte dos livros de história. É que existem tantas, mas tantas teorias sobre o apocalipse por aí que o assunto é banal. Eu estou aqui fazendo piada sobre ele. Talvez no dia 21 de maio de 2012, o Jornal Hoje – ou o Superpop – lembre que “faz um ano que o mundo acabou, de novo”, só que em 2013, depois de a gente ter zoado os Maias no dia 22 de dezembro, ninguém vai mais lembrar dele. A não ser claro, que ele corrija seus cálculos novamente e invente mais uma data para o fim do mundo (façam suas apostas nos comentários).

Não, esse não é o último texto que eu escrevo. Não, o Juízo Final não virá hoje e eu tenho plena certeza que mesmo que exista justiça divina, a gente extingue a espécie antes de Deus precisar fazer isso. Durmam tranquilos à noite, vocês irão acordar domingo para reclamar que a semana está começando de novo.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Como é ilógico esse tal preconceito

Estava voltando para casa depois da aula ontem, o ônibus estava meio cheio, daí abriu um lugar para sentar e eu fui até lá. Eu ia até lá. Antes que eu pudesse chegar à cadeira um outro homem já o ocupava. A primeira coisa que me veio à cabeça foi algo que envolvia a mãe dele e que não convém ser publicado, mas depois eu percebi que aquele homem tratava-se de um portador da Síndrome de Down e confesso, envergonhado, tive pena e achei que fazia uma boa ação.

Uma parada depois eu consegui me sentar no banco atrás do daquele homem e percebi que ele conversava com a mulher sentada ao seu lado. Mais duas paradas e eu já participava da conversa. Era fácil notar os primeiros fios de cabelo branco no contraste com o curto cabelo negro e as grossas sobrancelhas que, curiosamente, eram o que mais prendia minha atenção.

O que será que um portador de Down poderia estar conversando com dois estranhos no ônibus? Talvez eu mesmo fizesse essa pergunta antes desse episódio, pois saiba que foi aí que minha visão daquele momento mudou completamente. O homem dizia que estava estudando em uma escola que há perto da casa dele aqui mesmo em João Pessoa, disse que passara o dia com a mãe, que não mais lhe acompanhava naquela hora, e que estava indo para casa, pois suas aulas eram à noite.

Orgulhoso do bom trabalho que vinha fazendo, contou-nos que já sabia o abecedário inteiro, um grande progresso, segundo o homem. Também contou, sorrindo, que estava fazendo aula de teatro! Eles estão preparando uma peça que irá se apresentar aqui, em Campina Grande, também na Paraíba e até em Natal! Infelizmente, desci na parada seguinte e não sei o rumo que aquela prosa tomou.

Cheguei a minha casa e me sentei na cama. Sorria. Como eu havia sido ignorante mais cedo na ocasião do assento. Por que eu haveria de sentir pena de um homem tão feliz? De alguém muito mais feliz do que eu! Ele deveria sentir pena de mim, de todos nós, só que este homem sabe muito bem que o dever dele é aproveitar a vida, e o faz.

Só podemos chegar a uma conclusão com essa história. Como é ilógico esse tal preconceito. Seja contra quem for, um livro jamais deverá ser julgado por sua capa e uma pessoa, muito menos, pode ser julgada por sua aparência, por suas crenças, por suas deficiências, por suas escolhas ou por nada que não seja ela mesma.

Este encontro com esse homem, que só aconteceu porque eu havia me atrasado na sala e perdido a hora do meu ônibus de volta para casa, foi uma daquelas gratas surpresas e eu sei que a vocês não puderam ver o que eu vi, mas eu lhes conto, fielmente, e espero que o tapa na cara que eu levei, estada-se a todos vocês que achem que precisem.

domingo, 8 de maio de 2011

Mãe

Hoje eu não vou falar mal de nada. Não vou usar meu espaço para dizer que o Dia das Mães, mesmo sendo uma data oficial e fazendo parte do calendário católico é uma ocasião comercial que serve muito bem aos caprichos capitalistas, sendo a segunda época do ano em faturamento para o setor. Hoje, eu não vou falar sobre o segundo domingo de maio, vou falar sobre a quem ele é dedicado.



A primeira casa de cada um de nós, não há nada mais significativo do que carregar um ser dentro de si, que ser o escudo que protege aquele pequeno indivíduo que ainda não é capaz de enfrentar a selvageria do mundo extra-uterino e, quando a vida finalmente irrompe à luz, preparar simplesmente por amor aquele futuro homem ou mulher que um dia, doída, entregará ao destino.


Ser mãe é ser clichê, é ser coruja, é alimentar a maior das amizades unilaterais que existe. É escutar um nada e saber exatamente o que está acontecendo, é ser maltratada, mas jamais titubear ao declarar a grandeza dos seus sentimentos. Ser mãe é sofrer com o filho que se perde no caminho e ter a certeza de que vai ajudá-lo a se encontrar, não importa a dor do processo.


Há um quê de nobre em dedicar uma parte da sua vida gratuitamente para alguém que nem mesmo pediu para que fizesse isso. Há algo de especial em ser mãe. Sei que vou morrer sem entender o que leva essas mulheres a se portarem da maneira que for precisa para defender seus filhos ou seus ideais ou apenas os seus nomes, porém sei que é o amor, mais, é o amor imensurável de mãe.


O mesmo amor que leva mães pobres e sem esperança de futuro para sua criança a migrar da sua terra para outra, maior, onde ela irá sofrer em dobro, tendo que trabalhar em dois empregos, cuidar do seu barraco na favela, cuidar da criança, zelar para que ela não opte pelo fácil caminho errado que lhe é oferecido pelo meio, e tudo para que ela possa estudar e, quando crescer, ter uma vida melhor que a que ela teve.


Não existe amor maior do que aquele de mãe, portanto, não devemos amá-las na mesma intensidade, mas devemos ter e demonstrar o máximo de carinho, afeto e respeito que nos for possível. Devemos entender que o tempo passa para todos e estar lá para suprir todas as necessidades daquela velha senhora que já fez muito mais por você do que qualquer sacrifício que você venha a fazer por ela e devemos estar felizes por dar o que recebemos em abundância na nossa infância, amor.


Feliz dia das mães. Dona Mara, amo você.


sábado, 30 de abril de 2011

Ô povinho fofoqueiro


“Você viu o que a Claudia fez no cabelo?” “Não sabe o que me contaram.” “Nossa, como ela tá gorda.” “Me disseram que o restaurante dele é uma espelunca.” Eita fofoca boa danada; e para os telespectadores assíduos do TV Fama eu deixo uma dica extremamente valiosa, cuida da tua vida que é muito mais produtivo, criatura.
Que nós somos bichos extremamente fofoqueiros não é difícil perceber, mas se analisarmos um pouco mais profundamente e ampliarmos o nosso conceito de fofoca, vamos ver que é isso que fazemos basicamente o tempo inteiro. Ou estamos falando de alguém, ou estamos olhando para o que alguém está fazendo ou, pior, estamos tomando nossas decisões pautados em opiniões de outras pessoas.
Seres humanos são animais, por natureza, essencialmente gregários, tanto é que mesmo quando sozinhos estamos pensando e/ou dialogando, ainda que conosco. A vida em sociedade depende disso, mas eu me refiro aos excessos. Incomoda-me profundamente estar em um lugar e as pessoas que estão comigo estarem todas torcendo o pescoço para ver o louco palestrando na rua, ou a briga do casal na mesa ao lado ou seja lá o que for que não lhes diga respeito.
Eu entendo e até aprecio a curiosidade, mas será que é realmente difícil deixar as outras pessoas em paz? Falando sobre celebridades, como elas aguentam aqueles paparazzi em cima delas o tempo inteiro para suprir a “necessidade fofocal” de pessoas que não tem nada a ver com elas, que elas nunca chegaram a ver? Aí, quando essa celebridade se estressa, os mesmos mexiriqueiros enchem a boca para falar mal da pessoa que eles mesmos colocaram naquela situação de pressão extrema. É patético.
Meu texto de hoje é um pedido encarecido a todos vocês que vestiram a carapuça, vamos maneirar, pessoal. Ninguém vai deixar de fazer sua fofoca, eu não vou, mas tudo tem limite e tem (muita) gente extrapolando (muito) o aceitável.

domingo, 17 de abril de 2011

Falta de educação em cartaz


Meu programa favorito é ir ao cinema, mas de uns tempos para cá vem ficando cada vez mais difícil prestar atenção no filme. O cinema tornou-se um ponto de encontro, não mais um lugar para onde se vai apreciar arte, e o público que faz das poltronas do fundo a sala sua praça de alimentação vem piorando na mesma intensidade.


Não há nada de mais em reunir-se com seus amigos para ir ao cinema, eu preciso ser extremamente detalhista por aqui, como já constatado, eu só estou reclamando com você se for a sua turma aquela que fica falando alto, balançando as cadeiras da fila da frente, fazendo comentários supostamente engraçados sobre o filme (você realmente acha que alguém acha aquilo legal?), entre outra série de coisinhas que tiram a paciência de qualquer um. Então, se você já levou bronca na hora do filme de alguém um pouco mais velho sentado próximo a você, bem feito, eu estou com ele.


Todo problema tem uma origem. O grupo, normalmente de adolescentes, que vai ao cinema para azucrinar os outros, não é mal-comportado apenas em salas escuras, é o mesmo tipo de pessoa que atrapalha suas aulas na escola, que dá trabalho para os seus pais, é o mesmo playboyzinho que se mete em roubada, enfim, gente que acha que é legal, mas – justiça – não vai fazer porra nenhuma de produtivo até quebrar a cara aos vinte e cinco anos, quando papai e mamãe resolverem parar de passar a mão na cabeça dele e cortar a mesada.


O problema original aqui é a falta de educação, seja lá de onde ela for proveniente, e com ela, vem a falta de respeito. Eu tenho vergonha de pertencer à minha geração e digo isso a quem perguntar sem o menor problema. A massa é vazia, desrespeitosa, sem projeção alguma de futuro e que vive a ilusão da filosofia de vida barata e idiota de programa sensacionalista da tarde que incrivelmente virou dogma, quase um mantra, de que se deve viver o hoje, sem pensar no amanhã. Se o seu ponto de vista é de que amanhã você pode estar morto, você vai morrer pensando assim, e eu adianto a causa, fome.


A coisa é tão preocupante que eu sou obrigado a reduzir os meus pensamentos, os meus textos, pela metade – o que é a causa de muitas das más interpretações que são feitas sobre eles – simplesmente porque um adolescente, que em teoria, está formando seu caráter, está apontando o que será na vida, não consegue ler um textinho de duas páginas se não for sobre vampiros. Isso é sério, isso é muito sério, e eu tenho certeza de que esse cara do cinema, quem realmente deveria estar lendo isso aqui, nem abriu o blog, porque ele está ocupado vendo a página de esporte.

domingo, 10 de abril de 2011

Primeiras-damas de araque, digo, Alagoas


No final do mês passado, dezesseis pessoas foram presas nas Alagoas por desviar dinheiro público para a compra de bens pessoais. Nenhuma novidade até aí, mas a revolta surge quando você diz na lata: No final do mês passado, dezesseis pessoas foram presas nas Alagoas por desviar oito milhões de reais da merenda de escolas públicas do interior paupérrimo do estado para comprar uísque, vinho e ração de cachorro. Alguém lembra do que eu falei em "Vida de cão"?


Por que esse caso é diferente dos outros? Imagine uma criança que mora em Traipu (IDH 0,47, o mesmo do Quênia). Essa criança vive abaixo da linha da pobreza, não tem comida em casa, vai para a escola só por causa da merenda, contando com aquele prato de comida como a única refeiçao do dia. E se essa criança não tiver essa merenda?


Então deixa eu ver se eu entendi. A criança de Traipu pode morrer de fome, não tem problema, mas os secretários e ex-secretários presos não podem ter o nível alcoólico no sangue reduzido. Faz sentido. E eu acredito que tenha sido de bom grado, pelo amor aos animais, que essa criança abriu mão da sua comida para comprar a ração do totó das secretárias, ex-secretárias, ex-prefeita e primeiras-damas que foram presas também.


Nós brasileiros nos acostumamos a ver absurdos quando se trata de corrupção, mas - que bom - ainda nos resta um bonito instinto protetor às nossas crianças e casos como esse não passam desapercebidos pela população e, muito por isso, os culpados acabam sendo punidos. Ótimo. Só que eu tenho uma leve tendência a não estar plenamente satisfeito. Por que os culpados dos outros casos também não são punidos?


A justiça do nosso país não pode funcionar por combustão popular. Qualquer um que olhe os rostos dos vereadores da sua cidade pode apontar pelo menos um grupo que todo mundo sabe que é "ladrão", então, por que não se prende esses ladrões? Bem, disso todo mundo também sabe. Mas e se a gente precionasse? O Projeto Ficha-limpa é o exemplo. Então, ao invés de nos comover com casos de "apelo popular", a gente podia se comover com a situação do nosso país que jamais foi "um país de todos". Claro, exceto para as primeiras-damas.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Dessa vez em Realengo


De novo. É extremamente óbvio falar sobre violência, é um tema fácil, corriqueiro, mas enquanto crianças forem executadas, eu não vou parar de tocar no assunto. Cheguei à casa da escola hoje, liguei a TV para me fazer companhia durante o almoço (depois eu falo disso) e fui surpreendido com a notícia do que aconteceu na Escola Municipal Tasso da Silveira em Realengo no Rio.

São por volta das duas da tarde agora e por enquanto o número de vítimas fatais de Wellington Menezes de Oliveira é de onze (além dele mesmo que também morreu). Não consegui encontrar em nenhuma mídia qualquer coisa que indicasse que este homem portasse qualquer doença que o pudesse levar a exterminar essas crianças, então não vou passar a mão na cabeça de ninguém.

Não estou preocupado em seguir qualquer estrutura literária, ou fazer ligações intertextuais, nem ao menos me posiciono como cronista neste texto, apenas como mais um brasileiro indignado pela perda de onze “futuros”, parafraseando nossa presidente.

Por mais que todos nós já tenhamos visto casos como este nos jornais, desta vez foi muito próximo, foi com a gente e, por isso, vai doer muito mais. Vai ter muita gente na rua fazendo passeata, pedindo paz e todas essas coisas que Max Gonzaga canta em Classe Média. Mas na boa, alguém tinha dúvida que ia chegar a nossa vez de ver algo assim?

Quem é do Rio, de São Paulo, ou de qualquer outra metrópole, sabe a influência que o tráfico pode ter na vida das pessoas quando quer. Aquele tipo de coisa que não passa no Jornal Nacional. Quem acompanha as invasões da polícia fluminense às favelas para a implantação das UPPs, vê a quantidade de armas que são apreendidas – e não vê as que não são. É muito mais fácil conseguir uma arma do que deveria ser e parte da culpa disso é da sociedade que disse “não” no referendo sobre o desarmamento em outubro de 2005 (para quem não tem memória curta e ainda lembra disso).

É claro que foi um caso isolado, é claro que a violência ainda é exceção, mas a facilidade com que aconteceu, apenas mostra como é frágil o nosso sistema de segurança. E aqui, não me refiro apenas ao Wellington (o qual eu adoraria que estivesse vivo para pagar o que deve à sociedade), me refiro a tudo, tudo o que acontece, toda a impunidade e toda a acomodação. Eu vou para escola todos os dias, o Roger, o Mateus, talvez você, talvez seu filho, poderia ter sido qualquer um de nós.

Vá sim às ruas, faça sim as passeatas, lute sim pelos seus direitos, pela sua vida, mas faça isso sempre que for preciso, o que no nosso caso é sempre, ponto. Porque a diferença desse assassinato para os outros tantos que acontecem todo dia é só o número e a idade das vítimas.

sábado, 2 de abril de 2011

O fim é uma droga


Dedico este texto a Daniel de Araújo, o homem que me deu o sobrenome com o qual assino hoje e meu avô para sempre.

O fim é uma droga. O fim da vida de alguém que se ama é pior ainda. Quando morrermos, é isso, não haverá mais dor, não haverá mais sofrimento, não haverá nada, mas quando essa pessoa que amamos parte e nos deixa aqui, sem o seu amparo, parece que somos nós que estamos morrendo.

Sentimentos dos mais variados tipos, de diversas intensidades, caem instantaneamente em nossas mentes e silenciam do peito o coração que chora com os olhos as lágrimas da dor visceral da perda. O cimento da selva sob seus pés se torna areia movediça e por mais que fuja das lembranças, que afaste seus pensamentos, qualquer movimento que faça acaba levando-o cada vez mais fundo em seu poço particular e intransponível de recordações.

O mundo é por diversos dias um local abominável. Qualquer sorriso à sua volta lhe causa raiva, faz-lhe sentir-se escanteado, como se ninguém além de você ligasse para sua dor, como se além disso, zombassem do seu choro. Nada o alegra, nada o anima, nada o motiva. Você apenas vive por faltarem-lhe as forças para deixar de viver.

E depois de assimilar um pouco a dor, aceitar que a vida é assim e, forçosamente, se convencer que foi o melhor ou que então era para acontecer, que estava na hora, você se entrega à única coisa que sabe fazer e faz, na esperança de que aquela pessoa para quem você escreve, possa ouvir-te, ver-te e saber, depois de você não ter tido a oportunidade de dizer adeus o quanto você a amou, por mais que jamais tenha dito isso.

A vida simplesmente continua, impiedosa, mas com você vai embora uma parte dela. Obrigado pelas lembranças que o senhor deixou para mim, vovô.

Por Davi Araujo, neto orgulhoso de Daniel de Araújo.

domingo, 27 de março de 2011

Hora do Planeta, então tá bom


Para ninguém falar que eu não ligo para o meio-ambiente e que não sei o que, aqui vai um recado para aqueles que nunca entendem o que eu quero dizer: eu acho a Hora do Planeta uma iniciativa muito legal, muito bem pensada pelos organizadores e eu apoio como ato simbólico que é, mas como não podia deixar de ser, há seus poréns.

Apagar a luz por uma hora, não resolve nada. Aí você diz: “Ai, Davi, como você é burro, é claro que não resolve, é só para chamar a atenção.” E é disso mesmo que eu estou falando. A Hora do Planeta é uma oportunidade para um bocado de desleixados ambientais desligarem os interruptores por uma hora e sentir que estão em crédito com a natureza e que estão fazendo sua parte para salvar o mundo.

Mas e depois das nove e meia? Eu nem preciso responder a essa pergunta, mas só por via das dúvidas, volta tudo ao normal, e normal nesse caso não é bom. Todo mundo volta a esbanjar e fazer as mesmas coisas de sempre depois de os governos terem feito sua propaganda apagando as luzes de seus monumentos e atrações turísticas.

Aí você diz de novo, para fugir da carapuça: “Ai, Davi, vai dizer que você faz tudo direitinho igual falam na tv?” Se eu faço ou não faço, se o Papa faz ou não faz, pouco importa, o que importa é que você deveria fazer, porque você se preocupa e não porque os outros fazem.


Mais uma vez, caso eu não tenha sido claro, a Hora do Planeta é bem legal, o problema é como as pessoas a encaram. Mais uma vez, caso eu não tenha sido claro, a Hora do Planeta é bem legal, o problema é como as pessoas a encaram.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Vida de cão


Hoje vamos conhecer dois personagens muito especiais, o José e o Alfredo. O primeiro mora na rua, o segundo tem uma casa bastante confortável somente para ele.

José tentou por muito tempo conseguir trabalho, mas era rejeitado sempre. Com o tempo, ele não tinha mais reservas para pagar o aluguel do barraco em que morava na favela e teve de ir para a rua. Às vezes, ele conseguia uma vaga no abrigo para passar à noite, às vezes não.

Alfredo era bem-nascido, nunca tivera que se preocupar com trabalho. Na verdade, sempre teve pessoas que o faziam para ele, nunca precisou dormir ao relento ou se preocupar se conseguiria comer no dia seguinte. Ele tinha restaurantes que preparavam sua comida preferida especialmente para ele, enquanto nosso amigo trabalhador, que foi escanteado da sociedade, agradecia feliz o pão velho com queijo que o dono da padaria o dava vez ou outra.

Alfredo sempre tinha roupas novas, limpinhas, que comprava em lojas especializadas no seu público. José vestia uma camisa que ganhara de um político corrupto durante a campanha eleitoral e um short velho rasgado do lado há quase seis dias.

Quando Alfredo viajava, ficava em hotéis maravilhosos onde há vários especialistas para atender às suas necessidades e “fru-frus”, para José, o único meio de viajar era com a droga, e ele se recusava a experimentar.

Não pense você que José foi um vagabundo antes de ir para rua, ele estudou o máximo que pode para ter uma vida digna e sempre foi muito dedicado na escola, contribuía e ajudava seus amigos como podia. Já Alfredo, nunca assistiu a uma aula e não acrescentou nada à sociedade durante toda sua vida.

Uma certa tarde, José, que havia conseguido vaga no abrigo na noite anterior, tinha tomado banho, trocado de roupa e se alimentado, estava sentado à uma mesa em uma praça saboreando sua única refeição do dia, o pão velho com queijo, quando viu Alfredo passando do outro lado da rua e foi acometido por uma enorme inveja.

O problema disso tudo é que o Alfredo é um cachorro.

Eu concordo que os animais devem ser tratados com respeito, amados e tudo mais, mas eu só vou aceitar o Alfredo, no dia que nenhum homem ou mulher no mundo esteja sofrendo e jamais aceitarei que um cachorro seja mais importante que um ser humano.
Eu jamais maltratei um animal, mas uma pessoa que mantém um cachorro como o Alfredo está cometendo um crime contra a sociedade, contra a humanidade e deveria se envergonhar muito disso!