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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Papai, compra um carro da China?

 Face? Cielo? Jac J3? Chery? Jac Motors? É um tanto estranho ler esses nomes em vários carros tão diferentes e que surgiram do nada nas ruas das grandes cidades brasileiras. Esses veículos vêm da China, caros leitores e estão invadido o nosso país como se fossem mais um produto Made in China.

Com o câmbio favorecendo os chineses e o crescimento do poder de compra das classes C e D fizeram com que grandes empresas de automóveis, como a Chery e a Jac Motors, investissem na venda de carros populares no Brasil. Com preços entre R$20 e R$40 mil, em poucos anos, as vendas dispararam.

Segundo dados do jornal “O GLOBO”, no início do ano passado, as compras de veículos da China representavam US$ 16 mil, no mesmo período desse ano o total foi calculado em US$26,3 milhões. Dessa forma, os papeis estão se invertendo, já que antes exportávamos carros para a segunda maior economia do mundo, entretanto, agora, os chineses estão exportando cada vez mais veículos pra cá. Mas como esses carros fizeram tanto sucesso?

O preço? Talvez, contudo eles custam, como foi dito acima, entre R$20 mil e R$40 mil e automóveis de outras empresas conhecidas no país também podem ser encontrados pelo mesmo preço. Então o que aumentou a procura por esses produtos chineses? Eles vêm completos. Airbag duplo, MP3 player embutido, ar-condicionado de fábrica, direção hidráulica, trio elétrico... E muitos possuem freios ABS!

Esses vários acréscimos fizeram o consumidor brasileiro “deixar” o antigo Palio e o Uno da Fiat, já que estes ficam mais caros quando se coloca tudo o que os carros da China já possuem de fábrica. Além disso, a Chery e a Jac Motors criaram um forte esquema de manutenção dos seus automóveis no Brasil. Dessa forma, o consumidor não deve ficar com medo caso aconteça algum problema com o seu produto.

Entretanto, esses automóveis só usam gasolina. O que pode ser ruim em tempos de alta do produto e em uma época em que uma ideologia de preservação do planeta já está ganhando força. O design também é um problema, eles possuem formatos muito estranhos aos olhos do brasileiro. Sem falar na má fama dos produtos chineses, que são conhecidos pela péssima qualidade.

As montadoras da segunda maior economia do mundo são muito jovens, se comparadas a outras grandes asiáticas, como a Toyota, Kia e Hyundai. Assim, essas estão aprimorando cada vez mais seus produtos, melhorando o seu design, adaptando-os a combustíveis alternativos e melhorando a qualidade desses, para por fim a má fama.

Portanto, em alguns anos, creio que o primeiro carro de muitos jovens será um chinês. Já estou pensando em comprar um quando fizer 18 anos.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Made in China agora com qualidade

Carro da empresa chinesa Chery
A fama dos produtos made in china nunca foi muito boa. Governos do mundo inteiro já enfrentaram problemas devido à baixa qualidade dos produtos vindos da segunda maior economia do planeta, já que inúmeros recalls e processos foram feitos e movidos contra companhias chinesas ao longo dos últimos anos.

Os chineses possuem uma indústria grande, avançada e adaptável às exigências do mercado interno e externo. A mão de obra é a maior do mundo e uma das mais baratas. Logo, se o país possui uma forte, barata e vasta força de trabalho e uma indústria altamente produtiva e competitiva qualquer coisa pode ser desenvolvida na China. Então, por que muitos produtos de lá são de baixa qualidade?

O governo chinês sempre esteve de olho nas classes mais baixas, que não podem comprar produtos muito caros. Então, para atrair esse tipo de mercado consumidor, muitos produtos made in china são de baixa qualidade, pois o custo da produção destes não é caro, por conseguinte o valor final fica muito mais barato, assim podendo ser adquirido pela classe D. Além disso, com a desvalorização artificial do yuan as mercadorias exportadas ficam muito mais baratas. Essa lógica domina a nação em questão, pois é investimento certo e muito lucrativo devido ao grande número de nações pobres no planeta.

Contudo, isso está mudando. Visando dominar vários setores produtivos, hoje liderados pelos EUA, Alemanha, Japão e outras nações com indústria competitiva, A China estabeleceu 2011 como o “Ano do Reforço à Qualidade das Mercadorias Exportadas”. Os ministérios de Hu Jintao começaram a adotar medidas para aumentar a qualidade dos produtos chineses.

Com a produção de “qualidade” no país, o governo passa a adotar a terceirização dos antigos e difamados produtos que agora serão produzidos em países como a Índia, Malásia, Indonésia e Vietnã, onde a mão de obra é barata. Essas medidas já estão tendo reflexo no Brasil.

Segundo o jornal “O GLOBO” (10-03-11), os equipamentos para a indústria brasileira vinham dos EUA e da Alemanha, agora, entretanto, a China passou os alemães e consolidou-se como a segunda maior exportadora. Os dados preocupam o governo que já está adotando medidas para proteger o mercado nacional contra a crescente enxurrada de produtos vindos do Oriente.

Para as indústrias daqui, que estão com a infra-estrutura precária e consequentemente com a competitividade comprometida, devido à falta de investimentos, grande carga tributária e valorização do real, as ações do governo chinês colocam a produtividade em xeque.

Seria interessante se o governo brasileiro investisse mais na exportação de produtos industrializados, modernizando as indústrias nacionais, ao invés de ficar se preocupando com “velhos produtos made in brazil” (leia-se commodities).