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sábado, 23 de julho de 2011

E a Grécia respira aliviada... Por enquanto

Primeiro-ministro grego, George Papandreou
Na quinta-feira (21 de Julho) foi aprovado um pacote de 109 bilhões de euros para salvar a endividada Grécia (leia-se o euro). Além disso, os juros cobrados para o pagamento da dívida grega caíram de 4,5% para 3,5% e o prazo aumentou de 7,5 para 15 anos. Como era de se esperar, o dinheiro veio do FMI e de recursos da União Europeia. Entretanto, espera-se que bancos privados também contribuam.

É evidente, como foi dito acima, que o plano não foi aprovado para salvar os pobres gregos. Como o euro é a moeda de mais outras nações que estão com suas economias debilitadas, os governantes da zona do euro temem que a crise grega se alastre por esses países.

Mesmo que o pacote faça com que a Grécia respire, nada garante que essa medida irá funcionar em longo prazo. Logo, o calote das dívidas não pode vir hoje, entretanto ele pode chegar amanhã. Caso isso ocorra, creio que desembolsar mais alguns bilhões de euros não seria interessante.

Segundo o economista Nouriel Roubini (As previsões de Nouriel Roubini), Grécia, Portugal, Itália, Irlanda e Espanha deveriam sair da zona do euro, pois assim poderiam desvalorizar suas moedas (o que não pode ser feito com o euro). Dessa forma, esses países voltariam a crescer, pois recuperariam a competitividade no cenário mundial e ainda acabariam com a instabilidade econômica na região.   

E falando na Itália... O país da massa se tornou mais um problema na Europa. Com uma dívida de 120% do PIB, a terceira maior economia do continente europeu já aprovou um plano de austeridade. Entretanto, parece que o problema está apenas começando. E como eu já havia dito em outro texto, segundo Ricardo Amorim, economista que faz parte da equipe do programa de televisão Manhattan Connection, a situação (da zona do euro) vai ficar realmente grave quando a crise bater à porta dos italianos.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, o presidente Obama não conseguiu chegar a um acordo com os Republicanos sobre o aumento do limite da dívida, para evitar um calote. E se isso ocorrer, o governo chinês (maior detentor de títulos da dívida americana) não vai ficar muito feliz. Creio que só nos resta esperar para que esse cenário dramático melhore um pouco, mesmo que as previsões não sejam muito boas.

domingo, 3 de julho de 2011

A Apple sem Steve Jobs

Creio que todos os leitores conhecem a famosa Apple. Sempre inovando, com produtos de alta tecnologia e cujo design cativa pessoas ao redor do globo. A "grande maçã" foi criada por Steve Jobs, em 1976.

Com um relativo sucesso com a venda do computador Macintosh, mesmo com o seu alto preço, a empresa de Jobs passou a ganhar espaço no mercado. Nos anos 80, tudo parecia ir bem para a jovem maçã, entretanto seu criador era (é) uma pessoa um tanto difícil de trabalhar.

Jobs exigia demais de seus empregados. Muitos o chamavam de centralizador, arrogante e mandão. Com isso, outros diretores da Apple decidiram demitir o seu criador. E foi o que aconteceu, em 1985.

Assim, Jobs abandonou a sua empresa e criou a NeXT. Nesse meio tempo, a grande maçã estava sofrendo muito. Lançou vários produtos que não emplacavam. Parecia que ela estava apodrecendo sem o seu grande mestre.

Em 1996, Jobs retorna com a compra da NeXT pela Apple, como CEO. Com o seu retorno, sua criação passou a crescer novamente e ganhar espaço no mercado internacional. Desenvolvendo agora computadores (iMac), reprodutores de música e vídeo portáteis (iPod), sistema operacionais (OSX) e até mesmo smartphones (iPhone), a Apple passou a frente de inúmeras empresas como Nokia, Morotola, LG e várias outras.


Isso mostra como Jobs é uma pessoa de suma importância para a estabilidade de sua empresa. Ele não é como o Bill Gates para Microsoft, que consegue sobreviver sem o seu criador. Portanto, se algo ruim acontecer com Mr. Steve, o sonho pode virar um profundo e longo pesadelo.

As chances não são baixas, já que Jobs possui um tipo de câncer raro no pâncreas. Ele até chegou a tirar algumas licenças para cuidar do problema, o que fez com que as ações da Apple caíssem, devido à dúvida dos investidores sobre o seu estado de saúde. Mesmo dizendo que está se recuperando, a aparência física de Jobs não é muito boa.

Enquanto isso nos resta ficar com a grande dúvida: será que a Apple pode sobreviver sem o grande Steve Jobs? Muitos depositam as esperanças em Tim Cook, o possível substituto de Jobs. Entretanto, não sabemos se Cook terá a mesma habilidade de seu mestre para fazer com que a maçã não volte a apodrecer.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Reino Unido e Irlanda, "inimigos" em processo de paz

Rainha Elizabeth ao lado da presidente irlandesa
A República da Irlanda fazia parte do Reino Unido e separou-se do mesmo após uma batalha pela independência, que durou dois anos. As ações inglesas na Irlanda vinham irritando o povo daquele país. Além disso, havia a questão religiosa, onde os britânicos eram protestantes e os irlandeses católicos.


Em 1921, a independência foi alcançada e durante as últimas décadas o país cresceu rapidamente. Chegou a ser chamado de Tigre Celta, devido ao grande crescimento econômico e em 1973, passou a integrar a Comunidade Europeia (hoje chamada de União Europeia). Mesmo assim, as feridas causadas por anos de tensão com a Grã Bretanha não foram completamente curadas.

Na Irlanda do Norte, nação integrante do Reino Unido, mas que está situado na ilha irlandesa, foi palco de ataques terroristas durante as últimas décadas. O IRA (Irish Republican Army), fazia atentados na região e defendia a anexação do território citado anteriormente à República da Irlanda. Isso porque a maior parte da população norte-irlandesa é protestante, o que fazia com que a minoria católica de lá sofresse preconceito. Esses longos anos de terrorismo, que transformaram a região em um barril de pólvora, “terminaram” em 2005 quando o IRA decidiu acabar com a luta armada.

Por tanto, deve ter sido duro para a Rainha Elizabeth visitar a Irlanda na última terça-feira. Mesmo assim, a chefe de estado visitou a capital Dublin, o Croke Park (um estádio onde tropas britânicas metralharam civis, causando a morte de 14 pessoas) e teve encontros com o os governantes do país. Ao longo da visita, protestos e confrontos com a polícia ocorreram pelas ruas da capital. Em um discurso feito na noite da quarta-feira passada, no Castelo de Dublin, a monarca não pediu desculpas pelos atos ingleses no país, contudo disse que reconhece os erros ali cometidos pela sua nação.

Essa visita, mesmo sendo simbólica, mostra que a relação entre os dois países está melhorando. O que é interessante para a Irlanda, pois esta foi profundamente atingida pela crise de 2008-2009. As consequências desta tragédia econômica foram tão dramáticas para os irlandeses, que estes tiveram que solicitar um pacote de socorro à União Europeia.


Já os ingleses, arrecadaram alguns milhões de euros com o turismo, devido ao casamento real (como disse no post:O casamento de Kate e Willian, uma arma contra crise econômica britânica) e mais dinheiro entrará no ano que vem, pois as Olimpíadas serão em Londres. Além disso, eles ajudaram no pacote econômico usado para salvar a economia irlandesa.


Por conseguinte, é evidente que a crise europeia precisa ser vencida em conjunto, logo, para que esse processo seja menos doloroso e mais rápido, é preciso que antigas diferenças sejam superadas.   

domingo, 15 de maio de 2011

Carros argentinos barrados na fronteira brasileira

Mais de 2.000 veículos já foram barrados
Em resposta ao governo argentino, O Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) criou uma barreira para dificultar a importação de veículos. A medida foi criada visando atingir os argentinos, contudo, segundo as leis da Organização Mundial do Comércio (OMC), a medida tem que valer para todos os países que exportam automóveis para o Brasil.

Dessa forma, México, Alemanha, China, Estados Unidos e outras nações também foram afetadas. A barreira funciona da seguinte forma: o importador terá que pedir uma licença prévia para a liberação de guias. Antes, esse processo era feito de forma automática, o que facilitava a entra de produtos aqui. Assim, com uma burocracia maior, os carros demorarão mais para atravessar as fronteiras brasileiras.

Há alguns anos, inúmeros produtos que exportávamos para a Argentina estavam ficando presos na fronteira, devido às barreiras burocráticas impostas pelo governo Kirchner. A “lista dos barrados” inclui desde ovos de Páscoa a tratores que seriam usados por agricultores daquele país. Segundo a OMC, produtos que necessitam de licença prévia para a liberação de guias, podem ficar no máximo 60 dias “presos” na fronteira. Entretanto, estes estão parados lá por muito mais tempo.

Assim como vários países na América do Sul, a Argentina está com o mercado interno aquecido, mesmo assim, as indústrias desse país exportam muito para o Brasil. Segundo o G1, de janeiro a abril, os argentinos exportaram para cá 142.773 das 231.918 unidades produzidas nesse período. Ou seja, do total exportado, 82% veio para o Brasil.

A resposta dada pelo nosso governo foi bem justa, já que a Casa Rosada não está respeitando as leis internacionais de comércio e ainda compromete os acordos de diminuição de taxas comerciais entre os países do MERCOSUL. O governo brasileiro disse que está aberto a negociações com a Argentina, mas afirmou que não vai acabar com a medida vigente.

Além de incomodar o governo Kirchner, o Brasil visa proteger o mercado interno de automóveis que vem sendo fortemente invadido por carros chineses, como disse no post Papai, compra um carro da China?. Contendo a invasão, o governo espera acabar com ou diminuir o déficit de exportação de automóveis que estamos enfrentando.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Papai, compra um carro da China?

 Face? Cielo? Jac J3? Chery? Jac Motors? É um tanto estranho ler esses nomes em vários carros tão diferentes e que surgiram do nada nas ruas das grandes cidades brasileiras. Esses veículos vêm da China, caros leitores e estão invadido o nosso país como se fossem mais um produto Made in China.

Com o câmbio favorecendo os chineses e o crescimento do poder de compra das classes C e D fizeram com que grandes empresas de automóveis, como a Chery e a Jac Motors, investissem na venda de carros populares no Brasil. Com preços entre R$20 e R$40 mil, em poucos anos, as vendas dispararam.

Segundo dados do jornal “O GLOBO”, no início do ano passado, as compras de veículos da China representavam US$ 16 mil, no mesmo período desse ano o total foi calculado em US$26,3 milhões. Dessa forma, os papeis estão se invertendo, já que antes exportávamos carros para a segunda maior economia do mundo, entretanto, agora, os chineses estão exportando cada vez mais veículos pra cá. Mas como esses carros fizeram tanto sucesso?

O preço? Talvez, contudo eles custam, como foi dito acima, entre R$20 mil e R$40 mil e automóveis de outras empresas conhecidas no país também podem ser encontrados pelo mesmo preço. Então o que aumentou a procura por esses produtos chineses? Eles vêm completos. Airbag duplo, MP3 player embutido, ar-condicionado de fábrica, direção hidráulica, trio elétrico... E muitos possuem freios ABS!

Esses vários acréscimos fizeram o consumidor brasileiro “deixar” o antigo Palio e o Uno da Fiat, já que estes ficam mais caros quando se coloca tudo o que os carros da China já possuem de fábrica. Além disso, a Chery e a Jac Motors criaram um forte esquema de manutenção dos seus automóveis no Brasil. Dessa forma, o consumidor não deve ficar com medo caso aconteça algum problema com o seu produto.

Entretanto, esses automóveis só usam gasolina. O que pode ser ruim em tempos de alta do produto e em uma época em que uma ideologia de preservação do planeta já está ganhando força. O design também é um problema, eles possuem formatos muito estranhos aos olhos do brasileiro. Sem falar na má fama dos produtos chineses, que são conhecidos pela péssima qualidade.

As montadoras da segunda maior economia do mundo são muito jovens, se comparadas a outras grandes asiáticas, como a Toyota, Kia e Hyundai. Assim, essas estão aprimorando cada vez mais seus produtos, melhorando o seu design, adaptando-os a combustíveis alternativos e melhorando a qualidade desses, para por fim a má fama.

Portanto, em alguns anos, creio que o primeiro carro de muitos jovens será um chinês. Já estou pensando em comprar um quando fizer 18 anos.

terça-feira, 22 de março de 2011

O declínio do preconceito no século XXI

A imagem desse texto deveria ser considerada um fato histórico, não só para a história brasileira e americana, mas para a história de todo o mundo. A razão é simples: se voltássemos 30 anos no tempo, as duas figuras da foto não estariam nela.

No nosso país, há 30 anos, era inimaginável uma mulher como Presidente da República, ainda mais uma que havia lutado contra o regime ditatorial vigente na época. Não só ela, mas vários cidadãos lutaram para trazer a democracia de volta e eles conseguiram, possibilitando que Dilma Rousseff assumisse a presidência.

Na mesma época, nos Estados Unidos, a Guerra Fria preocupava o governo de Ronald Reagan que investiu pesado em armamentos para combater o “Império do Mal” (modo como ele chamava a URSS). Nesses tempos, era incogitável o fato de se ter um presidente negro controlando a nação mais poderosa do mundo, pois o racismo, algo que sempre existiu no país em questão, era muito forte. Contudo, com uma grande mudança na ideologia norte-americana e com sucessivos erros no governo do Presidente George W. Bush, Barack Obama pôde se tornar governante dos Estados Unidos.

Essas duas figuras importantes são apenas exemplos de uma radical mudança na ideologia de uma grande parte das pessoas em vários países. Além disso, mostra que antigos dogmas e opiniões, que atrapalhavam a boa convivência em algumas nações, estão sendo superados.

O próprio ex-presidente Lula é um exemplo dessa mudança. Antigamente, no Brasil, ninguém votaria em um homem que era líder sindical, operário, de escolaridade baixa e que não "falava difícil". Demorou, mas ele conseguiu se tornar presidente e fez o melhor governo já visto pelos brasileiros até então. Não estou fazendo apologia ao PT, pois esse fato é inquestionável, basta olhar os dados de crescimento durante os anos de 2003 e 2011.

Outras figuras importantes no cenário mundial também passaram por barreiras ideológicas. Evo Morales, atual presidente da Bolívia, foi o primeiro índio a chegar ao poder de um país onde, mesmo sendo uma grande parte da população, os indígenas são discriminados. Angela Merkel, atual chanceler da Alemanha, foi a primeira mulher a assumir a chancelaria do país desde o início de sua formação e hoje é uma das pessoas mais poderosas do mundo.

O olhar do mundo quanto a certos valores, que se mostraram retrógrados, está mudando ao longo dos anos. O que é a consequência de um planeta cada vez mais globalizado, onde a palavra preconceito já não é mais cabível no vocabulário do século XXI.    

sábado, 12 de março de 2011

Catástrofe aumenta a dívida japonesa

Moderno, desenvolvido, tecnológico, pequeno gigante... São uns dos termos utilizados para se referir ao Japão. Este país viveu um rápido crescimento econômico no início do século XX, pois conseguiu se industrializar, assim como as grandes potências da época. Esse crescimento durou até o início da Segunda Guerra Mundial, mais precisamente em 1941, quando o Japão atacou a base norte-americana de Pearl Harbor.

Com esse ataque, o Japão entrou na guerra ao lado das nações do Eixo (Alemanha, Itália e outros países) e passaram a lutar contra os EUA, que por sua vez passaram a integrar o grupo dos aliados (Reino Unido, França, URSS e outras nações). Forças norte-americanas e japonesas travaram inúmeras batalhas nas ilhas e no mar do Pacífico.

Mesmo com muita bravura, o “pequeno gigante” se redeu, pois duas bombas atômicas foram lançadas em seu território, matando inúmeros civis. Como consequência do conflito, o Japão perdeu parte da sua população, teve duas cidades infectadas pela radioatividade das bombas e a economia passou a não caminhar como no início do século.

Entretanto, assim que a Segunda Guerra terminou a Guerra Fria começou e os EUA precisavam de aliados na luta contra os socialistas. Logo, para ter o Japão como aliado estratégico nesse “conflito” (pois este ficava perto da União Soviética), os americanos ajudaram financeiramente os japoneses. Como conseqüência disso, o país passou a crescer e prosperar. O crescimento se estendeu pelas décadas de 60, 70 e 80 o que fez com que a pequena ilha do Pacífico se tornasse a segunda maior economia do mundo e sinônimo de desenvolvimento e inovação.

Contudo, a crise de 2008-2009 bateu à porta dos países desenvolvidos e nem mesmo o país em questão conseguiu escapar dela. Os inúmeros gastos com a população para manter o estado de bem-estar social (e outras razões), fizeram com que a dívida pública aumentasse durante os últimos anos, entretanto, mesmo perdendo o lugar de segunda maior economia do mundo (devido ao encolhimento do PIB) para os chineses, os japoneses fecharam 2010 com leves sinais de recuperação. Ainda assim, no ano passado, a dívida pública do país chegou a 225% do PIB.

O ano de 2011 está sendo terrível para o Japão, pois um terremoto, seguido de um tsunami devastou o nordeste do país. Nessa região, havia usinas nucleares e uma refinaria de petróleo que acabou explodindo, sem falar na grande quantidade de automóveis e embarcações que foram arrastadas pelas fortes ondas.

Ainda não foi calculado o custo do desastre, mas é evidente que não sairá barato e em um país onde as contas não estão em dia e que ainda não possui um plano coerente para controlá-las (lembrando que a dívida pública no ano passado foi calculada em 225% do PIB), mais um gasto irá endividar ainda mais os japoneses.

Com uma grande parte da população velha (leia-se aposentada), uma parcela jovem altamente qualificada e educada, mas desiludida, já que não consegue emprego devido ao mercado de trabalho saturado e um rombo nas contas públicas, o moderno Japão parece estar perdendo todo o seu esplendor e brilho alcançados nas últimas décadas. 

quinta-feira, 10 de março de 2011

Made in China agora com qualidade

Carro da empresa chinesa Chery
A fama dos produtos made in china nunca foi muito boa. Governos do mundo inteiro já enfrentaram problemas devido à baixa qualidade dos produtos vindos da segunda maior economia do planeta, já que inúmeros recalls e processos foram feitos e movidos contra companhias chinesas ao longo dos últimos anos.

Os chineses possuem uma indústria grande, avançada e adaptável às exigências do mercado interno e externo. A mão de obra é a maior do mundo e uma das mais baratas. Logo, se o país possui uma forte, barata e vasta força de trabalho e uma indústria altamente produtiva e competitiva qualquer coisa pode ser desenvolvida na China. Então, por que muitos produtos de lá são de baixa qualidade?

O governo chinês sempre esteve de olho nas classes mais baixas, que não podem comprar produtos muito caros. Então, para atrair esse tipo de mercado consumidor, muitos produtos made in china são de baixa qualidade, pois o custo da produção destes não é caro, por conseguinte o valor final fica muito mais barato, assim podendo ser adquirido pela classe D. Além disso, com a desvalorização artificial do yuan as mercadorias exportadas ficam muito mais baratas. Essa lógica domina a nação em questão, pois é investimento certo e muito lucrativo devido ao grande número de nações pobres no planeta.

Contudo, isso está mudando. Visando dominar vários setores produtivos, hoje liderados pelos EUA, Alemanha, Japão e outras nações com indústria competitiva, A China estabeleceu 2011 como o “Ano do Reforço à Qualidade das Mercadorias Exportadas”. Os ministérios de Hu Jintao começaram a adotar medidas para aumentar a qualidade dos produtos chineses.

Com a produção de “qualidade” no país, o governo passa a adotar a terceirização dos antigos e difamados produtos que agora serão produzidos em países como a Índia, Malásia, Indonésia e Vietnã, onde a mão de obra é barata. Essas medidas já estão tendo reflexo no Brasil.

Segundo o jornal “O GLOBO” (10-03-11), os equipamentos para a indústria brasileira vinham dos EUA e da Alemanha, agora, entretanto, a China passou os alemães e consolidou-se como a segunda maior exportadora. Os dados preocupam o governo que já está adotando medidas para proteger o mercado nacional contra a crescente enxurrada de produtos vindos do Oriente.

Para as indústrias daqui, que estão com a infra-estrutura precária e consequentemente com a competitividade comprometida, devido à falta de investimentos, grande carga tributária e valorização do real, as ações do governo chinês colocam a produtividade em xeque.

Seria interessante se o governo brasileiro investisse mais na exportação de produtos industrializados, modernizando as indústrias nacionais, ao invés de ficar se preocupando com “velhos produtos made in brazil” (leia-se commodities).

sexta-feira, 4 de março de 2011

Um corte mal feito

O corte de 50 bilhões de reais, anunciado pelo Ministro Guido Mantega, já está sendo uma pedra no sapato de alguns brasileiros. Um dos exemplos disso são os concursos públicos federais, que não serão realizados no ano de 2011. O programa “Minha casa, minha vida” também sofreu com o corte, assim como muitos outros projetos do governo.

Essas medidas não faziam muita diferença no meu dia a dia, entretanto hoje (02-03-2011) vi o que um corte pode fazer. No Colégio de Aplicação da UFRJ, 30 professores substitutos estão sem receber os seus salários desde Janeiro. Além de não terem um contrato estável como os professores efetivos, recebem uma menor remuneração.

O Cap-UFRJ é uma instituição de ensino renomada no Brasil, contudo sua infra estrutura é completamente precária, onde os alunos sofrem com o calor dentro das salas de aula, devido à falta de ar condicionados. Sem falar no estado do laboratório de Física e da sala de vídeo. Por isso e por muitos outros motivos, um protesto foi realizado e amanhã (03-03-11) não haverá aula.

É evidente que um corte teria que ocorrer cedo ou tarde. Entretanto, este está sendo feito de forma incoerente, o que está afetando setores importantes para o crescimento do país.

A grande fatia tirada da verba da educação só comprova como o governo está sendo completamente incompetente na questão do corte. Projetos bilionários e que podem ser adiados ou até mesmo esquecidos, devido a sua inviabilidade, são as meninas dos olhos do governo Dilma.

O Trem Bala, que ligará as cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, custará 33,2 bilhões de reais (só lembrando que o corte anunciado pelo governo é de 50 bilhões de reais). Muitos têm criticado esse projeto, afirmando que o Brasil precisa de mais estradas de ferro para poder escoar mercadorias, matérias primas, pessoas e etc. pelo nosso território de dimensões continentais. A Rússia, que possui o maior território do mundo, é cortada por extensas estradas de ferro. Desde a era socialista, elas são vitais para a economia do país.

Belo Monte, que já é criticado mundialmente, é um dos projetos que o governo insiste em tirar do papel, custará quase 19 bilhões (lembrando novamente que o corte anunciado é de 50 bilhões). Muitos falam de sua inviabilidade e que este pode ser substituído por outras fontes renováveis e rentáveis.

Gastar muito e mal é, infelizmente, uma das políticas de Dilma. Nossa presidente precisa entender que outros inúmeros setores precisam de maiores investimentos, pois estes são chave para o desenvolvimento do país.  

Portanto, se Dilma Mãos de Tesoura não souber aparar devidademente os verdadeiros e inflacionários gastos, protestos como os do Cap-UFRJ se transformarão em manifestações a nível nacional, como as que vimos nos países europeus e árabes. 

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Revoltas no Norte da África, um duro golpe para os “Viciados em Petróleo”

As revoltas no Norte da África estavam causando certa instabilidade nas bolsas de valores do mundo inteiro. Entretanto, os protestos na Líbia, um dos maiores produtores de petróleo do planeta, fizeram com que o preço do barril de petróleo subisse mais uma vez.

Mesmo com o informe feito pela OPEP (Organização dos Países Produtores de Petróleo) de que os países membros iriam aumentar a produção, o preço do barril foi cotado a US$ 111. Além disso, zelando pela segurança de seus funcionários, grandes petrolíferas estão retirando o seu pessoal da Líbia e estão suspendendo total ou parcialmente as atividades no país, segundo o jornal “O Globo” (24-02-11).

A grande revolta no Norte da África tem se tornado cada vez mais observada e acompanhada de perto pelos integrantes da União Europeia e pelos Estados Unidos. O Canal de Suez, por onde é escoada a produção de petróleo do Oriente para o Ocidente já era um fator logístico que requereria atenção, contudo, agora, com uma crise política em um dos maiores produtores de petróleo do planeta, parece que o problema tornou-se mundial.

Nações em desenvolvimento e desenvolvidas são extremamente dependentes desse combustível fóssil já que, infelizmente, ele é indispensável na produção de vários produtos essenciais para a vida dos seres humanos. Entretanto, como eu sempre digo, esse combustível da “Era Medieval” é poluente e já está provando ser um grande problema.

Um dos pilares que sustentam a economia de nações como o Brasil, Venezuela, Arábia Saudita é o petróleo e com a crise que está ocorrendo, as perdas já tem sido milionárias. Para o Brasil, que está com a corda no pescoço, devido à crescente inflação, perder dinheiro é algo que deveria estar fora de questão. 

Em países como os Estados Unidos, o petróleo representa 35% da matriz energética, o gás natural 25% e o carvão 21%, enquanto fontes renováveis representam míseros 8%, segundo a jornalista Míriam Leitão.

Segundo especialistas, até 2030, o mundo ainda estará em processo de desintoxicação, devido ao uso do “ouro negro”. Para acelerar esse processo é necessário investir, como eu sempre digo, em energia renovável, mesmo que ela seja mais cara, já que o petróleo não vem marcando muitos gols.

O grande aumento dos preços do barril da commodity em questão serve de lição para os “viciados em petróleo”, onde Tio Sam é o coordenador do grupo, pois é o que mais utiliza a droga.

Enquanto a maior parte dos países utilizarem o combustível da “Era Medieval” para crescer, as economias destes estarão à mercê das cotações do barril dessa droga que já corre em suas veias por quase um século e que só provou ser uma das grandes vilãs na luta por um mundo mais verde. 

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Nokia, Microsoft e Apple na Guerra dos Smartphones



Uma grande briga no mercado de smartphones está ocorrendo. Empresas como Nokia, Apple, HP e Samsung, apresentam inúmeras inovações nos festivais tecnológicos que ocorrem em vários países do globo. Contudo, a empresa de Steve Jobs e a finlandesa “declararam guerra”.

De um lado, temos a Apple. Com sede no supra-sumo do desenvolvimento tecnológico, o Vale do Silício (Califórnia, Estados Unidos). Os produtos da empresa do gênio Steve Jobs são a última palavra em informática. Os iPhones, iPods e outros vários i’s estão nas mãos de várias pessoas em todo o lugar. Com um design próprio e inovador, a Apple conquistou até a Rainha Elizabeth.

Do outro, temos a Nokia. A antiga fábrica de papel, fundada na Finlândia, entrou no ramo da telecomunicação, em 1960. Ao longo das décadas, a gigante finlandesa conquistou um grande espaço no cenário mundial, produzindo e inovando inúmeros aparelhos telefônicos. Hoje, a Nokia é a “líder mundial em aparelhos celulares”, cativa europeus e mercados emergentes, como Brasil e Índia.

Essas grandes indústrias tecnológicas são umas das maiores produtoras de smartphones no planeta e uma grande briga está sendo travada entre elas. A Apple está produzindo um novo tipo de iPhone, menor, mais barato e que talvez seja lançado no meio desse ano. Isso pode deixar a finlandesa em xeque.

A Nokia, que veio perdendo competitividade para a grande Maçã de Jobs, aliou-se à uma corporação que saiu um pouco dos holofotes, contanto ainda é muito influente: a Microsoft. Mesmo com a saída de Bill Gates, a Microsoft é um dos sistemas operacionais mais usados no mundo.

Apostando nisso, a Nokia fechou um acordo em que o antigo sistema operacional Symbian, utilizado nos seus celulares, será trocado pelo Windows Phone. Isso gerou protestos dos funcionários da empresa finlandesa, principalmente no setor do antigo sistema operacional, pois seus funcionários temem ser demitidos.

A finlandesa está perdendo espaço nessa batalha, contudo, com a entrada da grande Microsoft no conflito, parece que a vitória de Steve Jobs pode estar muito mais longe do que o esperado.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Então que seja um corte inteligente...

Foi anunciado um corte de 50 bilhões de reais, pelo Ministro da Fazenda Guido Mantega. O objetivo: cortar gastos para conter a inflação. As medidas já são visíveis, já que houve uma grande redução nos concursos públicos. Um exemplo disso é o concurso para ingressar no Itamaraty, onde antes eram, aproximadamente, 100 vagas disponíveis, contudo, hoje, apenas 27 podem ser ocupadas.

A inflação, como já foi dito no texto anterior, já está começando a se tornar uma pedra no sapato dos brasileiros. No supermercado, o preço de vários alimentos subiu e os que pedem dinheiro emprestado a bancos, ou que pagam carros, eletrodomésticos, e outros objetos através de parcelas, têm que encarar os juros altos. Até o preço dos lanches na cantina da minha escola subiu assustadoramente.

Esse “monstro”, quando está descontrolado e não luta ao nosso favor, reduz o poder de compra da população. No caso do Brasil, isso é ruim para as classes C e D, que estão em constante ascendência. Então, porque o governo não concede o aumento do salário mínimo para resolver o problema? Isso só iria aumentar a inflação, pois mais dinheiro circularia em um sistema em que existe mais capital que mercadorias e serviços.

Nesse momento delicado, um corte deve ser feito, entretanto, onde o governo deve cortar gastos? Um estudo deve ser feito, mostrando onde, quanto e se realmente vale a pena investir uma quantia x em alguma coisa. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é apontado como um dos grandes vilões dessa trama.

Muitas obras do PAC são boas, contudo outras são ruins e caras. Por conseguinte, o levantamento que será feito pelo governo deve ser altamente minucioso, analisando projetos os quais poderão ser deixados para depois, ou até mesmo esquecidos, devido ao alto custo e ineficiência dos mesmos.

A obra para a construção de usinas no Norte do país tem que ser um dos primeiros pontos a serem revistos. As usinas hidrelétricas já estão ultrapassadas e são caras demais. Além disso, as secas tem se tornado constante nos rios com os quais a energia será gerada, devido às mudanças climáticas no planeta.

Outro ponto que poderia ser analisado, contudo creio que não será, são os salários exorbitantes de senadores, deputados, vereadores e ministros, pois estou certo de que se estes fossem reduzidos, já seria um grande começo. 

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Inflação impede maior aumento do salário mínimo

Os sindicalistas estão brigando para que o salário mínimo seja superior ao proposto pelo governo de Dilma Roussef. Segundo o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, o mínimo foi reajustado para R$ 545,00, entretanto, os sindicatos pedem um aumento entre R$ 560 a R$ 580, além de reajustes para os aposentados de 7,8% a 10%.

Entretanto, Mantega afirma que as exigências dos trabalhadores não podem ser atendidas no momento, devido ao aumento da inflação, que já está se tornado uma pedra no sapato na hora da compra de alguns gêneros alimentícios. Além disso, esse fantasma atrapalha várias outras áreas da economia nacional. Então, se um grande reajuste for feito agora, a inflação poderá sair do controle?

O “monstro”, segundo especialistas, está crescendo devido aos gastos do governo com o Projeto de Aceleração do Crescimento, que já está consumindo bastante dinheiro dos cofres públicos. Fatores externos também estão influenciando esse fenômeno, já que o Brasil é o terceiro maior destino de investimentos estrangeiros. Com isso, a entrada de dólares aqui tem sido muito grande e, como a moeda americana está desvalorizada frente a nossa, a inflação nacional acaba acentuando-se.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que o equilíbrio fiscal no Brasil, e em outros países em desenvolvimento, está mais fraco que o previsto e ainda disse que a deterioração das contas fiscais brasileiras é “particularmente pronunciada”. Entretanto, Guido Mantega, que diz que o país teve melhora fiscal, rebateu o comentário do FMI, afirmando que o governo fará o reajuste necessário nas contas, para que a meta de superávit fiscal seja alcançada.

Mesmo com a afirmação do Ministro da Fazenda, o IPCA, medidor de índice da inflação brasileira, teve a sua maior alta em Janeiro, com um aumento de 0,83%. Além disso, as medidas para conter o crescimento do problema não surtiram efeitos notáveis, mas já “espantaram” alguns investidores estrangeiros.

Fica difícil acreditar que uma grande reforma salarial ocorra nesse momento tão delicado, pois mais capital iria girar em uma roda que possui poucos serviços e mercadorias em relação à quantidade de dinheiro, logo isso só iria aumentar a inflação. Contudo, os trabalhadores não saem com perda total, pois investimentos estrangeiros em ascensão, valorização da moeda nacional frente à americana e gastos do governo com o país, são consequências do desenvolvimento, que trará grandes benefícios para a população do Brasil. 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Revolução no Mundo Árabe

O mundo árabe está passando por um intenso processo de mudanças radicais. Essa onda revolucionária, liderada pelos jovens (a maioria dos revoltosos possui menos de 30 anos) já chama a atenção dos governos de Israel e dos Estados Unidos.

Os revolucionários exigem melhores condições de vida, já que o desemprego, a baixa remuneração, a inflação e os inúmeros abusos contra a liberdade dominam a região há décadas. Tunísia, Egito, Argélia, Jordânia e Iêmen, nações onde as revoltas foram palco, são governados por ditadores, ou até mesmo por monarquias (caso da Jordânia).

Como esses regimes, que possuem pelo menos uma década de duração, usam constantemente a força militar para repreender a população, controlam a liberdade de expressão, fechando jornais, emissoras de televisão, e monitorando as redes sociais e outros recursos da Internet, esses jovens, que nunca viram um outro tipo de governo passaram a não aceitar mais as ordens ditatoriais de seus governantes?

As ordens e medidas adotadas pelos ditadores para conter os protestos não foram aceitas pela população. O toque de recolher, adotado pelos presidentes da Tunísia e do Egito, não impediu que uma nova onda de protestos, onde carros foram incendiados, tomasse conta dos principais centros urbanos desses países.

A onda começou na pequena Tunísia, que possui o 81º maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo e renda per capita de aproximadamente 9 mil dólares. Dominada pelo governo autoritário de Zine El Abidine Bem Ali, a ex-colônia francesa foi o primeiro país a obter êxito na revolução árabe, pois o atual governante acabou “sumindo do mapa”.

Com isso, a onda árabe inundou o Egito, onde o governo de Hosni Mubarak está há quase 30 anos no poder. Com os inúmeros protestos na capital egípcia, Mubarak foi obrigado a mudar todos os seus ministros. Entretanto, depois desse anúncio que foi feito pela tv, os manifestantes diziam “Queremos ele (Mubarak) fora!”.

A polícia juntou-se à população em algumas partes das cidades, onde os protestos tiveram palco e os bombeiros, depois da tomada de um dos prédios do Partido Nacional Democrático (PND) pelos revoltosos, no Cairo, não apareceram para controlar o incêndio que estes provocaram.

O êxito das revoltas anima o mundo árabe que acredita entrar em uma era de mudanças, contudo Israel e Estados Unidos já começam a se preocupar e acompanhar de perto a situação. Para os americanos, a saída de Mubarak pode ser ruim. Durante seus 30 anos de governo, o egípcio criou fortes laços com a Casa Branca.

O Canal de Suez, situado no norte do Egito, é usado pelos americanos e por outras nações para transportar petróleo do Golfo Pérsico para o Ocidente. Sem falar que, atendendo às solicitações dos norte-americanos, o atual governo egípcio lutou contra grupos extremistas no país. Outra conquista do governo de Mubarak pode estar ameaçada, segundo o presidente de Israel, já que o ditador conseguiu acabar com as hostilidades entre as duas nações.

Contudo, a paz e os lucros foram alcançados em detrimento do bem-estar da população árabe, o que, de certa forma, tornou-se o selo do governo dos Estados Unidos. Logo, parece que o mundo árabe terá que lutar contra dois inimigos: o atual governo e alguns países do mundo desenvolvido, liderados pelo viciado em petróleo Tio Sam.

Entretanto, o velho Tio Sam e seus aliados já não possuem tanto poder e fôlego para controlar revoluções. Além do mais, o G-7 já possui dívidas e problemas muito maiores.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O Renascimento do Nordeste Brasileiro

A região Nordeste do Brasil vinha sofrendo, nas últimas décadas, com inúmeros problemas de saneamento básico, educação, saúde, transporte, tecnologia, sem falar na miséria. Como os governos pouco olharam para a região em questão, muitos nordestinos foram obrigados a procurar emprego e melhores condições de vida nos grandes centros urbanos, que começaram a crescer no início do século XX, devido à industrialização.

Contudo, devido ao grande fluxo migratório, os mercados de trabalho escolhidos por esses migrantes ficaram saturados. E quando chegavam, devido à baixa qualificação, tinham que encontrar empregos cujos salários eram medíocres. Isso levou ao surgimento e crescimento das favelas, que ainda são um desafio para o atual governo.

Entretanto, hoje, o Nordeste está completamente diferente. A região onde a colonização brasileira começou, já passou o Sul em matéria de investimentos estrangeiros e  a americana Ford investe na fabricação de jipes na Bahia e no Ceará, as Casas Bahia e o grupo Pão de Açúcar já abriram lojas em alguns estados do Nordeste e a estatal Eletrobrás também já faz investimentos na região, mas todas essas empresas reclamam da falta de qualificação.

A Eletrobrás, no Piauí, abriu um concurso público para preencher 30 vagas de engenheiro elétrico, mas apenas 3 pessoas se inscreveram, segundo dados do jornal “ O GLOBO”. A Fiat já criou um centro de formação, com o objetivo de qualificar os trabalhadores nas áreas de mecânica, eletrônica, pintura automotiva e funilaria.

Esse entrave está sendo resolvido com a migração de trabalhadores das regiões Sudeste e Sul do país. Como os mercados em suas cidades de origem se encontram saturados, ou os salários não são muitos bons, esses jovens engenheiros, eletricistas e até mesmo mestres de obras, com algum tipo de qualificação, estão encontrando empregos nos estados nordestinos, onde estão ganhando quase o dobro do que recebiam.

Sem falar no refluxo que está ocorrendo, onde nordestinos que haviam saído de sua terra natal, passaram a voltar para a mesma. Isso é ótimo, pois “enxuga” o grande número de pessoas concentradas nas grandes cidades, como Rio de Janeiro e São Paulo, fazendo com que o nosso extenso território nacional seja devidamente ocupado.

Mas o comodismo com essa compensação de mão de obra pode atrapalhar os investimentos de qualificação na região, já que a tendência desse novo fluxo é só aumentar, devido à grande necessidade do Nordeste de desenvolver-se. É uma faca de dois gumes, pois o fato resolve problemas, mas acaba criando outros.

A única chance, talvez, seria se estes novos migrantes permanecessem na região até o resto de suas vidas, pois seus filhos precisariam da mesma qualificação que seus pais tiveram. Ou seja, isso obrigaria o governo a investir pesado em educação na região, caso o contrário, outra fuga irá ocorrer.     

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O Dilema Verde do Brasil

Dando continuidade ao projeto energético do PAC-2, o governo de Dilma Rousseff planeja desmatar 5,3 mil quilômetros quadrados de floresta do país, o que, segundo dados do jornal “O Globo”, equivale à área dos 19 municípios da região do Grande Rio. O trabalho será realizado para instalar 61 usinas no Brasil.

Logo é evidente que haverá desmatamento, já que a obra será realizada na área denominada Amazônia Legal, que compreende 9 estados da federação. Se a obra for concluída, o governo irá jogar mais 42 mil megawatts no sistema de energia. Contudo, nenhuma avaliação sobre os impactos diretos e indiretos foi feita.

Além das novas usinas, a área em questão será cortada por 2.615 quilômetros de estrada de ferro e por 1.601 quilômetros de rodovias. Segundo ecologistas, isso não será bom devido ao efeito “espinha de peixe”, onde pessoas passam a morar ao longo dessas estradas. Dessa forma elas aumentam o desmatamento no local.

Pode parecer um tanto cômico já que se ambientalistas, como o Greenpeace e o James Cameron já lutavam contra a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, terão agora um grande trabalho pela frente.

Estes grupos afirmam que existem várias saídas para compensar a construção das usinas. Alguns dizem que uma manutenção no sistema energético poderia ser feita, outros dizem que a energia não é distribuída corretamente, pois o Sudeste, devido ao seu desenvolvimento, fica com a maior porcentagem de megawatts. E se fosse necessário construir algo, a energia eólica daria conta do recado, segundo os “grupos verdes”.

O governo diz que essas propostas são ineficientes, ou caras demais. Além disso, essas obras, ainda segundo o governo, contribuirão para o crescimento do Brasil, pois com o rápido desenvolvimento, a demanda energética também cresce. Sem falar nas estradas de que os estados do Norte carecem.

Então, o caso possui duas faces. Creio que para crescer é necessário fazer alguns sacrifícios, entretanto, estamos em uma era em que preservar é uma lei. Nosso planeta não pode perder seu maior pulmão, contudo ele está “atrapalhando” o crescimento nacional.

É um duro dilema, ainda mais para um país que registra altas taxas de crescimento ao ano e foi considerada a nação mais limpa do mundo, na última reunião do clima. Por conseguinte é evidente que o Brasil seja um ótimo aluno em “Ser Verde” e em Crescimento Socioeconômico.

Os impactos terão que ocorrer de qualquer forma, mas eles podem ser suavizados com o uso de novas tecnologias. Entretanto, como eu sempre digo em meus textos, no Brasil, os investimentos em tecnologia são baixos, se comparado ao dos países desenvolvidos. O país, repetindo mais uma vez, deve parar de basear sua economia em petróleo (um dos combustíveis que mais poluem o planeta) para passar a se apoiar na alta tecnologia, que pouco danifica o meio ambiente. Além do mais, nós temos dinheiro e mão de obra para produzi-la.

Talvez, investir em tecnologia seja a saída para o grande dilema que estamos enfrentando atualmente.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A Fuga de Cérebros Européia


Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a Europa estava completamente destruída e uma grande parcela da população havia morrido. Esses homens e mulheres, em sua maioria os homens, trabalhavam e faziam com que seus países crescessem.

Entretanto, com uma grande parte dos trabalhadores mortos, como o continente iria se levantar? Só os investimentos norte-americanos não dariam conta do trabalho braçal, que os europeus que sobraram se recusavam a fazer, devido à baixa remuneração.

Então, a resposta para a pergunta acima era bem simples: imigrantes. Muitos vieram da América Latina e ajudaram um dos continentes mais antigos do mundo se “reerguer das cinzas”. Contudo, com o trabalho concluído em meados dos anos 1960, já não era mais necessário o uso desse tipo de mão de obra. Com isso, os governos passaram a adotar inúmeras medidas para conter a crescente entrada de imigrantes no continente.

Mesmo assim, muitos trabalhadores qualificados e desqualificados, passaram a “fugir” de seus países para conseguir emprego no continente em questão. Com o tempo, um grande número de grandes engenheiros, cientistas e etc. saíram de suas nações em busca de uma melhor remuneração. Esse movimento de emigração de mão de obra qualificada é chamado de “Fuga de Cérebros”.

O movimento era comum até o dia em que a Crise 2008-2009 bateu à porta dos países desenvolvidos. As inúmeras medidas para cortar gastos, adotadas pelos governos europeus, deram um golpe, não só nos imigrantes, mas nos trabalhadores que são realmente parte do continente. Como conseqüência disso, ocorreu o movimento de “Volta pra Casa”, onde os imigrantes passaram a regressar aos seus países de origem.

Para os europeus, a situação só complicava, já que ninguém conseguia sair da crise e os cortes já estavam se tornando uma grande pedra no sapato. Então, como nos países em desenvolvimento a crise havia sido uma “Marolinha” e estes empregam mão de obra qualificada, os “gringos” tiveram que se tornar os imigrantes. Portugueses, espanhóis, italianos estão indo para a América Latina, África, EUA e Canadá em busca de empregos. A tarefa não está sendo tão dura, devido às qualificações desses jovens homens e mulheres.

Segundo a revista “The Scientist”, o fato em questão preocupa o Euroscience, órgão que integra aproximadamente 2 mil cientistas da Europa, e a CE (Comissão Européia). Contudo, mesmo os esforços dessas e de outras instituições, o secretário geral da Fundação de Ciência Européia disse: “Os esforços da CE são admiráveis, mas a responsabilidade maior está com os Estados membros".

Em entrevista à “Folha Online”, o inglês Karl Gensberg, que trabalhava como pesquisador em biologia molecular, na Universidade de Birmingham (Inglaterra), deixou o emprego para se tornar encanador, com o objetivo de ganhar até o dobro do que recebia em seu antigo emprego. Outros casos semelhantes ao de Karl estão acontecendo no continente, desde o início do século XXI e a situação se agravou ainda mais com a crise econômica.

Por conseguinte, é bom pensar antes de arrumar as malas para procurar emprego na Europa, pois se nem mesmo os próprios cidadãos de lá estão conseguindo, a ponto de terem que emigrar para nações em desenvolvimento, é bem provável que um imigrante latino, mesmo possuindo qualificação, não consiga alguma boa oferta de trabalho.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A Queda do Império Norte-Americano

Os Estados Unidos da América são um país que durante o século XX viveram um tempo de grande esplendor econômico, político e cultural. Desde sua independência, seus fundadores sempre diziam que o futuro guardava ótimas surpresas para essa nação que cresceu com base na lógica do trabalho e do esforço individual.

Seu desenvolvimento militar também foi notável, já que conseguiu vencer as duas Grandes Guerras Mundiais, aprimorando técnicas de combate, produção em massa e desenvolvendo armas capazes de devastar países. Durante a Guerra Fria, o poderio militar não conseguiu acabar com a “Ameaça Comunista” no Vietnã e na Coréia do Norte, entretanto assistiram o seu inimigo número um, a grande União Soviética, cair e converte-se ao capitalismo.

Na política externa, conseguiram controlar os governos de inúmeros países, principalmente os na América do Sul, apoiando as ditaduras militares que acabaram com a liberdade dos cidadãos latino-americanos. Estas nações, tidas como subdesenvolvidas na época, eram fantoches que foram “condenadas” a exportar commodities. Como conseqüência disso, elas não puderam desenvolver seu setor industrial como os países desenvolvidos.

Creio que não é preciso lembrar da dominação cultural “imposta de forma prazerosa” pelos EUA. O Rock, as inúmeras tendências da moda como roupas, cortes de cabelo, o cinema... Enfim, tudo isso mostra que o século XX foi repleto de ganhos para a nação em questão. Contudo, em 2001 tudo começou a mudar.

O então invulnerável, forte, rico, influente e manipulador “Gigante Americano” recebeu a resposta pelos seus atos. O ataque terrorista às Torres Gêmeas e ao Pentágono no dia 11 de Setembro de 2001, mostrou que “qualquer um” poderia fazer uma grande bagunça neste país. Entretanto, o então presidente George W. Bush travou uma guerra contra o grupo que arquitetou os ataques, a Al-Qaeda, mas que terminou em um grande número de jovens soldados mortos nos campos de batalha do Iraque e do Afeganistão.

Com o fim da era Bush, o povo norte-americano estava cansando de ver seu dinheiro e seus filhos sendo queimados em uma guerra que não teria vencedor. Além disso, uma crise econômica havia estourado com a quebra do banco americano Lehman Brothers e o governo republicano não estava sabendo lidar com a situação. Porém, parecia que havia uma saída para esse problema nacional.

Barack Obama foi eleito o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, pelo partido Democrata. Obama cativou não só o seu país, mas o mundo inteiro. Prometeu curar as feridas que a Crise Econômica 2008-2009 havia causado, acabar com a guerra no Iraque, reduzir os investimentos em armamentos e coisas que o povo americano já não suportava mais.

Mesmo assim, Obama mostrou-se um presidente fraco que não conseguiu lidar com o grande problema de seu país. Hoje ele sofre inúmeras críticas de pessoas que o apoiaram durante as eleições e o mundo já não admira seu governo como antes.

Atualmente, outra ameaça comunista se tornou uma pedra no sapato do Tio Sam. A China, que se tornou uma potência militar e econômica é a segunda nação mais rica do globo. Estudiosos afirmam que se ela continuar nesse ritmo de crescimento chegará à primeira posição em breve. Pode-se dizer que  esse novo “inimigo” é completamente diferente da URSS, pois soube unir os pontos positivos do capitalismo e do socialismo de uma maneira jamais vista.

Tudo no planeta possui um ciclo de Começo-Auge-Decadência e os EUA se encaixam perfeitamente nessa lógica. Essa teoria também se encaixa na situação em que os países da Zona do Euro estão passando, já que sofrem uma crise econômica, política e social.

Entretanto, em contrapartida, os países integrantes do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) e alguns da América do Sul, como Argentina e Uruguai e até mesmo a África do Sul estão atingindo níveis de crescimento notáveis, o que pode mudar as regras do cenário mundial completamente.

Por conseguinte, é evidente que a queda do império americano não pode ser contida, mas pode ser suavizada, para que o velho Tio Sam não se “machuque” muito.