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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Juventude agredida

Victor Suarez, jovem agredido por um grupo de cinco pessoas
Na sociedade em que vivemos, cada vez mais agressões são noticiadas. Esses atos não resultam só à lesão física, mas também à lesão moral e psicológica de quem a sofreu. 


Recentemente um caso teve grande repercussão na mídia: Um jovem foi espancado ao defender um mendigo. Essa notícia foi veiculada por todo o Brasil, até em outros países.


O agredido teve que passar por uma cirurgia em que foram aplicados pinos em seu rosto, que havia sido desconfigurado. Os espancadores foram presos e acusados de tentativa de homicídio. Mas qual é o fator que leva esses e outros jovens a cometer tal ato?

Educação é sempre o primeiro tópico a ser abordado, e ironicamente é o que menos falta. Por vezes as agressões são cometidas por pessoas bem instruídas, que estudaram em escolas que os deram boa estrutura. Não é só a educação vinda da escola que é boa, a maior parte aprende bons princípios em casa. 


Outro fator que é falado é o da falta de atenção dos pais. A justificativa é que com o tempo essa carência acaba se transformando em comportamento agressivo. 


Mesmo levando em conta esse fatores, existe um que é o maior encorajador a quem comete tais atos: a impunidade. A maior parte dos agressores não responde por seus crimes, e os que são presos no máximo pagam a fiança e acabam soltos.

Precisamos rever nossas leis, educar melhor nossos filhos. Quanto maior a negligência, mais casos serão inseridos em nosso cotidiano. Precisamos ensinar aos nossos filhos que o caráter e o respeito mútuo são imutáveis e que um ser humano precisa agir assim, e não como verdadeiros trogloditas. 

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Marcha das Vadias

Acontecerá amanhã (dia 02 de julho) em Copacabana aqui no Rio de Janeiro a Marcha das Vadias. Antes de qualquer comentário equivocado por parte de quem esteja lendo, o evento vai às ruas protestar contra a violência sofrida pelas mulheres. Segundo informações da Carta Manifesto do movimento somente no estado do Rio – e nos três primeiros meses desse ano – 1246 mulheres e meninas foram estupradas. São quatorze por dia. No Brasil, são 15 mil por ano.

O evento é significativo. Há tempos a mulher busca a igualdade de direitos e, mesmo que em teoria a tenha, todos nós sabemos que a coisa não funciona exatamente assim. A visão da carta manifesto pode parecer um pouco extremista, porém não é contada nenhuma mentira e o ponto de vista defendido pelas idealizadoras do projeto é, independente da sua opinião, louvável.

A marcha surgiu em Toronto, no Canadá depois de a então universitária Jaclyn Friedman ter sido violentada por seus colegas de universidade que saíram impunes. Na situação, um policial responsável pelo caso disse que “Se a mulher não se vestir como uma vadia, reduz-se o risco de ela sofrer um estupro.” Daí o nome Marcha das Vadias (SlutWalk, no original).

A manifestação já aconteceu em vários países, além do Canadá, mulheres dos Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, a Grã-Bretanha, Holanda, Suécia, Argentina e Índia já foram as ruas gritar o direito do controle sobre os seus corpos. A Marcha também já teve edições nove edições no Brasil e amanhã acontecerá simultânea a do Rio a edição soteropolitana.

O importante disso é mostrar a necessidade de se abolir urgentemente a cultura do estupro. Gente retardada que diz que a mulher foi violentada, porque sua roupa era muito provocativa. Se não se aguenta, animal, vai pro banheiro. O senhor Paulo Maluf já chegou ao cúmulo de dizer “estupra, mas não mata”, como se estuprar fosse algo irrisório. Como se não destruísse a vida de uma pessoa. Eu ia adorar ver alguém estuprando esse cara e depois chegar na cara dele e perguntar: “Não mata, né?”

Exaltei-me. Pois bem... Seria muito legal que quem mora no Rio pudesse ir amanhã às duas horas para o Posto 4 em Copacabana participar do evento. Até agora 1484 pessoas já confirmaram a presença na página do evento no Facebook, além de todas as outras que não confirmaram, mas vão mesmo assim. Eu mesmo farei o que der para ir, além de outros colunitas aqui do Conversa que marcarão presença no evento.

Vou deixar uns links aqui para quem estiver interessado em se aprofundar um pouco mais na Marcha, ou tirar dúvidas sobre a edição carioca.

Ensopados da História: Marcha das Vadias

Página no Facebook (onde encontra a Carta Manifesto)

Reportagem do jornal O Globo

Somos todas as mulheres do mundo! Mães, filhas, avós, putas, santas, vadias…todas merecemos respeito!


quinta-feira, 7 de abril de 2011

Dessa vez em Realengo


De novo. É extremamente óbvio falar sobre violência, é um tema fácil, corriqueiro, mas enquanto crianças forem executadas, eu não vou parar de tocar no assunto. Cheguei à casa da escola hoje, liguei a TV para me fazer companhia durante o almoço (depois eu falo disso) e fui surpreendido com a notícia do que aconteceu na Escola Municipal Tasso da Silveira em Realengo no Rio.

São por volta das duas da tarde agora e por enquanto o número de vítimas fatais de Wellington Menezes de Oliveira é de onze (além dele mesmo que também morreu). Não consegui encontrar em nenhuma mídia qualquer coisa que indicasse que este homem portasse qualquer doença que o pudesse levar a exterminar essas crianças, então não vou passar a mão na cabeça de ninguém.

Não estou preocupado em seguir qualquer estrutura literária, ou fazer ligações intertextuais, nem ao menos me posiciono como cronista neste texto, apenas como mais um brasileiro indignado pela perda de onze “futuros”, parafraseando nossa presidente.

Por mais que todos nós já tenhamos visto casos como este nos jornais, desta vez foi muito próximo, foi com a gente e, por isso, vai doer muito mais. Vai ter muita gente na rua fazendo passeata, pedindo paz e todas essas coisas que Max Gonzaga canta em Classe Média. Mas na boa, alguém tinha dúvida que ia chegar a nossa vez de ver algo assim?

Quem é do Rio, de São Paulo, ou de qualquer outra metrópole, sabe a influência que o tráfico pode ter na vida das pessoas quando quer. Aquele tipo de coisa que não passa no Jornal Nacional. Quem acompanha as invasões da polícia fluminense às favelas para a implantação das UPPs, vê a quantidade de armas que são apreendidas – e não vê as que não são. É muito mais fácil conseguir uma arma do que deveria ser e parte da culpa disso é da sociedade que disse “não” no referendo sobre o desarmamento em outubro de 2005 (para quem não tem memória curta e ainda lembra disso).

É claro que foi um caso isolado, é claro que a violência ainda é exceção, mas a facilidade com que aconteceu, apenas mostra como é frágil o nosso sistema de segurança. E aqui, não me refiro apenas ao Wellington (o qual eu adoraria que estivesse vivo para pagar o que deve à sociedade), me refiro a tudo, tudo o que acontece, toda a impunidade e toda a acomodação. Eu vou para escola todos os dias, o Roger, o Mateus, talvez você, talvez seu filho, poderia ter sido qualquer um de nós.

Vá sim às ruas, faça sim as passeatas, lute sim pelos seus direitos, pela sua vida, mas faça isso sempre que for preciso, o que no nosso caso é sempre, ponto. Porque a diferença desse assassinato para os outros tantos que acontecem todo dia é só o número e a idade das vítimas.