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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Juventude agredida

Victor Suarez, jovem agredido por um grupo de cinco pessoas
Na sociedade em que vivemos, cada vez mais agressões são noticiadas. Esses atos não resultam só à lesão física, mas também à lesão moral e psicológica de quem a sofreu. 


Recentemente um caso teve grande repercussão na mídia: Um jovem foi espancado ao defender um mendigo. Essa notícia foi veiculada por todo o Brasil, até em outros países.


O agredido teve que passar por uma cirurgia em que foram aplicados pinos em seu rosto, que havia sido desconfigurado. Os espancadores foram presos e acusados de tentativa de homicídio. Mas qual é o fator que leva esses e outros jovens a cometer tal ato?

Educação é sempre o primeiro tópico a ser abordado, e ironicamente é o que menos falta. Por vezes as agressões são cometidas por pessoas bem instruídas, que estudaram em escolas que os deram boa estrutura. Não é só a educação vinda da escola que é boa, a maior parte aprende bons princípios em casa. 


Outro fator que é falado é o da falta de atenção dos pais. A justificativa é que com o tempo essa carência acaba se transformando em comportamento agressivo. 


Mesmo levando em conta esse fatores, existe um que é o maior encorajador a quem comete tais atos: a impunidade. A maior parte dos agressores não responde por seus crimes, e os que são presos no máximo pagam a fiança e acabam soltos.

Precisamos rever nossas leis, educar melhor nossos filhos. Quanto maior a negligência, mais casos serão inseridos em nosso cotidiano. Precisamos ensinar aos nossos filhos que o caráter e o respeito mútuo são imutáveis e que um ser humano precisa agir assim, e não como verdadeiros trogloditas. 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Falando de sexo

Confesso que demoramos muito para escrever sobre esse tema, que ainda é muito delicado para se falar em nosso país, mas antes tarde do que nunca, não?

Num mundo “moderno” como o de hoje, falar sobre sexo abertamente ainda é um tabu. Pais evitam discutir o assunto, a escola também não aborda, o que cria um grande buraco na educação sexual da pessoa, algo que é necessário para a formação de um ser humano.

Com a falta desse conhecimento, jovens vão procurar esclarecer suas dúvidas com amigos e na internet, o que as vezes não é bom. Na internet muitas informações são errôneas, o que acaba fazendo com que os jovens muitas vezes se confundam. Como alguns pais mantém um diálogo sobre sexo aberto com seus filhos, muitas das vezes a conversa com amigos é a que traz informações mais importantes e seguras.

Pais não conversam, escolas não dão a devida explicação, o que acontece? A falta de conhecimento gera problemas de saúde. A gravidez prematura é o mais comum deles. Adolescentes de 12 anos com dois, três filhos e na maioria dos casos, pobre. A falta de conhecimento faz adolescentes arriscarem suas vidas com DSTs e gravidez de alto risco. Em muitos casos é ainda pior quando as crianças são levadas à clínicas clandestinas de aborto, que não têm material nem higiene adequados para que a cirurgia seja feita adequadamente.

A educação sexual é algo extremamente importante principalmente no mundo atual. O esclarecimento de dúvidas e o diálogo aberto ajudam não só a tirar as dúvidas de seu filho como também auxiliam uma aproximação entre as duas partes.  

Converse com seu filho, tenha uma relação amigável e sempre escute-o quando ele precisar. Um diálogo aberto traz confiança, e isso é indispensável, ainda mais para um adolescente. Afinal, é melhor você saber das aventuras e ter certeza de que ele está se protegendo a você ser surpreendido com a notícia de que será vovô ou vovó.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Sou mimado, hipócrita, fumo maconha e estudo na USP


Hoje acabou mais um episódio que na verdade é uma mancha da história do nosso país.


Na noite de 27 de outubro, uma quinta-feira, três alunos foram detidos por porte de entorpecentes, termo legal para porte de maconha. 
A detenção resultou no início de um protesto de 300 universitários contrários á ida dos suspeitos para a delegacia. Durante a ida dos três, houve confronto verbal entre os demais universitários e objetos foram jogados em direção à polícia, que revidou com cassetetes spray de pimenta e bombas de gás lacrimogênio e de efeito moral. 

Ainda naquela mesma noite, a sala da administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) foi invadida sob desculpa de protesto à atitude da Polícia Militar. E como se não bastasse esse ato babaca, disseram que só sairiam de lá caso a PM parasse de patrulhar a universidade (esse ano foi firmado um acordo entre a polícia e a universidade após a morte do aluno Felipe Ramos de Paiva, durante uma tentativa de assalto). A partir desse momento, a manifestação babaca passou a ser chamada de "movimento estudantil".

Não estou dizendo que movimentos estudantis são ruins, ao contrário. Admito que foram esses movimentos que fizeram do Brasil a república que é hoje, mas devido às últimas mobilizações o foco e a essência se dissiparam, e esses "revolucionários" são ridículos.

"Você foi alienado pela mídia comprada desse país" é um dos tipos dos comentários que surgirão sobre esse artigo. Não, não fui alienado, só estou falando a verdade. Estando entre as 10 principais universidades do Brasil, a USP tem um papel muito importante no cenário acadêmico, o que atrai muitos "filhinhos de papai". Esses mesmos personagens levantam bandeiras dizendo ser "contra a elite e a segregação", "a favor do povo" e que "devemos todos nos unir contra a corrupção". Ótimas palavras (palavras ditas por parte da elite) meus caros, pena que no mundo real o povo tem que trabalhar duro e não são todos bancados pelo pai e perdem horas no trânsito dentro de ônibus enquanto você, "comunista", vai pra universidade no Mercedes-Benz que ganhou da sua família ao passar pra faculdade.

Pedir para o fim das rondas da Polícia Militar é sem dúvida a mais ridícula das reivindicações. Talvez se a PM também desse "um tapa" com os alunos a situação seria outra, mas quanto a isso eu não irei me manifestar.

Para tentarem arrumar algum outro motivo, os estudantes disseram que a reitoria desvia verbas. Parabéns! Invadindo a o prédio e quebrando tudo fará com que essa roubalheira pare. Pena que gastarão mais dinheiro para pagar o prejuízo.
Mobilizações estudantis sempre serão muito bem vindas, desde que tenham algum nexo. Eu quero um país com democracia e seres pensantes, não babacas que querem a polícia fora do campus só pra poderem fumar mais maconha.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Contra a Injustiça #EmDefesadoRio

Ultimamente, nós cidadãos fluminenses temos nos deparado com uma situação muito crítica para nosso estado: a alteração no modo com que os royalties de petróleo são divididos. Você deve estar se perguntando "E no que que isso muda na minha vida?" Isso muda muita coisa, deixa eu explicar.

Sendo o maior produtor de petrolífero do Brasil, cerca de 75% de todo o petróleo tem como origem o Estado do Rio de Janeiro. Hoje, 45% do PIB do estado é proveniente da exploração petrolífera que ocorre em nosso litoral. 

Com a nova divisão dos recursos, o repasse que antes era de 30% para a União, 26,25% para os estados produtores e 26,25% para os municípios produtores passaria ser de 20% para a União, 20% para os estados e 4% para os municípios. Caso seja aprovado, o Estado do Rio terá um prejuízo de mais de R$1,2bi somente em 2012, prejuízo esse que seria crescente. Ainda não está satisfeito? Então vou te assustar um pouco mais.

Como já tinha dito antes, o petróleo faz parte de 45% do PIB do Rio. Com esse dinheiro, o governo, além de investir em infra-estrutura, paga a dívida do estado com a união e cobre o rombo financeiro que a previdência dos servidores do estado causa. Só para deixar bem claro: sem o dinheiro do petróleo, você, servidor estadual do Rio de Janeiro, ficará sem aposentadoria. 

Espero que todos comparecem à manifestação para lutarmos juntos por nossos direitos. Chamem seus parentes e amigos, convide todos! O link para o evento no facebook está aqui, então não há desculpa para não chamar os amigos. Conto com vocês na quinta para lutar contra a injustiça e em defesa do Rio.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Casamento homoafetivo


   25 de Outubro de 2011, mais uma vitória da comunidade LGBT. Depois  da União homoafetiva ter sido reconhecida em maio, hoje foi a vez do casamento homoafetivo. 
   Em maio o STF decidiu que os casais formados por pessoas do mesmo sexo constituem família, podem formar união estável e devem ter reconhecidos todos os direitos garantidos na Constituição referentes à união estável e um desses direitos, segundo o 226 § 2 é o casamento civil. Isso foi inclusive o entendimento dos juízes que em junho autorizaram o primeiro casamento civil entre dois homens, que foi celebrado no Dia Internacional do Orgulho Gay, dia 28 de junho. 

  Hoje, o caso julgado foi de duas gauchas que ja viviam juntas e tiveram recusas para a formalização do casamento. Elas recorreram ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, não obtiveram sucesso em primeira e segunda estâncias até recorrerem ao STJ.
  O julgamento começou na quinta-feira (20/10) mas foi interrompido por um pedido de vista feito pelo ministro Marco Buzzi. Hoje na volta do julgamento um dos ministros, Raul Araújo, mudou seu voto sob a alegação de que a inconstitucionalidade do caso deveria ser julgada pelo STF (Superior Tribunal Federal). Já Marco votou a favor e disse que "Não existe um único argumento jurídico contrário à união entre casais do mesmo sexo. Trata-se unicamente se restrições ideológicas e discriminatórias, o que não mais se admite no moderno Estado de direito."

  Um dos vários argumentos feitos pelo advogado do casal era que como não havia nenhum artigo na constituição dizendo que o casamento é proibido, ele é permitido.

  De novo, religiosos fizeram campanhas para que fiéis enviassem e-mails dizendo que casal homossexual não constitui familia e que "Não é coisa de Deus." Mais uma vez a pressão dos religiosos não adiantou nada e o casamento foi autorizado, o estado provou mais uma vez que é de fato laico.
Hoje foi mais uma batalha vencida em defesa aos direitos LGBTs. Ainda há muitas a serem enfrentadas e o todos pedimos é o básico: Que independentemente de credo, cor e orientação sexual, recebamos o mesmo respeito e tenhamos os mesmos direitos.


quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A morte de um ídolo

Já fui criticado por quem fala que idolatro demais o Steve Jobs, que as vezes fujo da verdade ao falar sobre ele e coisas do tipo, mas nunca serei imparcial ao falar da figura que ele é.

Hoje todos nós recebemos uma péssima notícia: Steve Jobs morreu. Criador da Apple (autalmente a maior empresa de capital aberto do mundo em valor de mercado), dos estúdios Pixar (hoje comprados pela Disney) e pai de produtos como o o iPad, o iPhone e o iPod, Steve foi um dos maiores gênios do século XX.

Jobs defendia a popularização da tecnologia com qualidade (coisa não muito comprovada já que seus produtos nunca foram tão baratos assim, mas sempre estiveram entre os melhores). Também defendia a acessibilidade nos computadores e nos gadgets, o que de fato era provado com a usabilidade de suas criações.

Depois de quase ter ido à falência na década de 90, a Apple foi salva por, pasmem (ou não) por Bill Gates. Gates, hoje “aposentado” fez uma ótima jogada: além de tirar a maior empresa do mundo do buraco, ele investiu na empresa que hoje em dia é a principal ameaça à Microsoft, ou seja, perde-se por um lado e ganha-se por outro.

A “luta” de Jobs começou em meados de 2004, quando seu câncer o deixou debilitado justamente na época em que a marca estava em seu auge comercial. Depois disso, passou por um transplante de fígado e por conta disso teve sua morte publicada acidentalmente em importantes redes de notícia como a Bloomberg.

Depois disso foram vários casos de internações, melhoras e pioras no seu estado clínico. Nessas suas idas e vindas, ele lançou o gadget que é o mais querido por todos: o iPhone. O iPhone foi uma revolução no mercado de smartphones. Naquela época, não se imaginava um telefone com tantos recursos e tanta tecnologia. Lembro-me de vazamentos de documentos de empresas como as Nokia em que membros da direção diziam não acreditar que um aparelho como aquele fosse possível. 

Aos que olhavam de fora, Jobs estava bem, continuava participando ativamente das criações da empresa, apresentava novos produtos e jamais estagnação, mas ele piorava... Em agosto, Stevie saiu do comando da empresa alegando motivos pessoais (obviamente por causa da doença), todos sabíamos que algo ruim estava por vir, e veio.
Nesta quarta feira, 5 de outubro de 2011, Steve Jobs morreu em decorrência do seu câncer. Não fui só eu que perdi um ídolo, não foi a Apple que perdeu um fundador, foi o mundo que perdeu uma grande mente.


Vá em paz, Stevie!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Rock In Rio

 Eu já postei aqui sobre a realizaçãodo meu sonho de ir pro Rock In Rio, então hoje falarei sobre o evento em si.


Numa época em que shows no nosso país eram raros (pela falta de infraestrutura, por furtos de equipamentos e históricos de “calote”), Roberto Medina, publicitário e empresário brasileiro, um dia teve a ideia de criar um festival que provasse que o Brasil podia fazer shows internacionais. Daí nasceu o Rock In Rio.

Durante a construção da Cidade do Rock (local onde aconteceu o primeiro evento) um problema em específico veio à tona: o terreno. O solo era instável, de difícil construção, mas depois de o evento quase ter sido cancelado, eles conseguiram cumprir o prometido. Para se ter uma noção, a primeira Cidade do Rock tinha uma área de gramado de 87mil m² (mais ou menos 12 Maracanãs), três palcos giratórios de 5500 m², uma verdadeira cidade. Tudo pronto, o evento começa e... Chove. Acredite, a chuva foi animadora. Jovens de jogando no chão, fazendo guerra de lama, pareciam todos crianças.

Foram 10 dias (11 à 20 de janeiro) de muita música. Com atrações como como Iron Maden, AC/DC, Ozzy Osboune, James Taylor, e Queen (com sua lendária apresentação de“Love of my life”), o Rock In Rio foi um sucesso, levando mais de 1 milhão de pessoas à Cidade do Rock. Estampou as capas de revistas de jornais não só brasileiros como de toda a mídia internacional. A missão estava cumprida: Roberto Medina provou que o Brasil era sim capaz de produzir um mega evento musical. O primeiro deixou um gostinho de mais, e que assim seja...

Com a Cidade do Rock demolida, a segunda edição teve de ser no Maracanã. Mesmo com o público reduzido em quase metade, foi outro sucesso, que fez com que a marca se tornasse mais forte ainda. 

A partir de 2001, o festival começou com a campanha “Por um mundo melhor”, campanha essa que foca em ações sociais e ecológicas, numa época que ainda não se falava de aquecimento global, efeito estufa e outros fenômenos climáticos. Durante essa edição, antes dos shows começarem, houve um ato simbólico: mais de 3000 emisoras de rádio e TV de todo o mundo pararam por três minutos por um mundo melhor. A partir daí surgiram os programas sociais do Rock In Rio.

Em 2004, o Rock In Rio se tornou internacional. Em maio daquele ano, acontecia o primeiro Rock In Rio Lisboa, evento que como todos os outros anteriores, foi um sucesso. A vez de Madrid chegou em 2008 e como os outros também teve o mesmo resultado.

Hoje, 26 anos depois da primeira edição, o Rock In Rio volta à sua terra natal mais amadurecido. Considerado um dos maiores festivais de música do mundo e top of mind no Brasil, na Espanha e em Portugal, tendo mais importância do que a Fórmula 1 em Madrid, por exemplo. O Rock In Rio não é mais um simples evento, é algo bem maior que a primeira edição. Esse ano o festival agradará todos os estilos musicais. Grandes nomes da música como Elton John, Stevie Wonder e Guns 'N Roses marcarão presença no evento musical mais esperado do ano no Brasil. Aos que ainda não sabem os artistas que se apresentarão (o que é meio difícil, admito) o link do line up completo está disponível aqui.

Com uma Cidade do Rock inteiramente nova, com 150 mil m², dois palcos, tenda eletrônica, espaço fashion, a rock street (uma “rua” inspirada em New Orleans onde tocará bastante blues, jazz e também terá restaurantes) e briquedos como o kaboom, montanha russa, tirolesa, roda gigante. Depois do Rock In Rio, o terreno ficará disponível para shows e outros eventos na cidade.

Aos que não irão aos show, existem alternativas: Quem tiver tv por assinatura, pode assistir a transmissão pelo canal Multishow a partir das 16h30. E a partir das 19h, a cobertura também será feita pelo portal Globo.com. Já os que estiverem fora do Brasil, poderão ver pelo YouTube neste link aqui.

Aos nossos leitores que como eu também irão, só lhes tenho a desejar um bom Rock In Rio.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

GREVE na Rede Federal de Ensino - #FEDERALemGREVE


Roger e Barbara na passeata que ororreu dia 18/08, no centro do  Rio de Janeiro

Dia desses eu estava conversando com os meus amigos sobre os cortes do governo na educação e sobre a greve que havia estourado. Alguns se disseram a favor, outros contra a greve, mas todos achavam que o corte era injusto. 
Quando a greve tomou conta do twitter, com a hashtag #FEDERALemGREVE, muitos leitores do blog me cobraram um texto. Na verdade não só a mim como aos outros membros. Achamos que era cedo demais, pois ainda precisávamos ler mais sobre a greve para nos aprofundar melhor sobre o assunto.
Houve o twittaço, a passeata, e o blog divulgava tudo através de seu perfil no twitter, mas ainda existiam pedidos de textos sobre a greve...
Demorou, mas conseguimos mais que um simples texto, conseguimos uma entrevista com o Francisco Aragão Azeredo, mais conhecido por "Chico" (ou para os twitteiros, por @chcapet), geógrafo, professor da rede IF e membro do conselho de ética da greve.

Roger Amaral: Bom, em primeiro lugar te agradeço por disponibilizar parte do seu tempo para nos dar essa entrevista, sei que ultimamente o seu tempo tem sido corrido.
Francisco Aragão Azeredo: De nada, é um prazer estar aqui dando essa entrevista.

R: Então vamos começar. O que incentivou o início da greve?
F: Bom, em relação ao Sinasefe (Sindicato Nacional dos Servidores Federais
da Educação Básica, Profissional e Tecnológica) o fato de que o governo vem enrolando nas mesas de negociação desde o começo do ano (se não me engano março). Ao mesmo tempo, o governo dizia que o prazo limite era o fim deste mês, agosto. E o Duvanier (do MPOG, Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão) ficou a maior parte do tempo dizendo que o governo não tinha como dar aumento nenhum nas bases, ou seja, nos institutos. Pesaram fatores como a bagunça que vem sendo essa expansão da Rede Tecnológica, com vários campi sendo implantados em lugares sem infra-estrutura alguma, ou mesmo campi fantasmas. Tem uns 3 campi que o site do MEC (Ministério da Educação) lista como existentes na Bahia que ainda estão no começo das obras. Além disso, há fatores como a defasagem salarial da categoria do MBTT (Magistério do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico) como um todo e que afetam principalmente os profissionais novos, que ganham salários inferiores aos pagos pela prefeitura do Rio, no caso dos graduados, por exemplo. E a célebre questão da progressão por titulação dos docentes do MBTT, que é prevista em lei mas não vem sendo cumprida adequadamente
Eu acho que isso ajuda a explicar PARTE das nossas razões. Esse link tem as tabelas salariais dos três regimes de trabalho do MBTT (aqui)
Favor considerar que a Prefeitura do Rio de Janeiro tá fazendo concurso pra pagar mais de 3,4 mil reais pra matrícula de 40 horas. Detalhe importante: sem exigir dedicação exclusiva.

R: O início da greve de seu no início de agosto, certo? Em que dia?
F: O IFRJ teve a greve deflagrada no dia 11 de agosto, em Assembléia com 151 votos a favor, 17 contra e 5 abstenções, o que foi um recorde da história da instituição, com presença da maioria dos 11 Campi e da Reitoria. A greve mesmo começou na terça seguinte, 16 de agosto e no dia 18 houve uma assembleia com um número próximo a 300 servidores que referendou o movimento. Sendo que é preciso considerar que em Campi longínquos, como Arraial do Cabo e Volta Redonda a maior parte dos servidores realizou assembleias locais com ampla participação. Lembrando que nesses campi estão boa parte dos problemas de infra-estrutura de nossa rede.
Ah, e eu esqueci de comentar: em nome da "inclusão" o governo quer acabar com o Ensino Básico em instituições como o INES (Instituto Nacional de Educação dos Surdos) e o Instituto Benjamin Constant, que ensinam respectivamente a surdos e cegos, de modo que o INES foi um dos primeiros institutos a entrar em greve no Rio
Se é que não foi o primeiro.

R: Você pode citar algumas reivindicações? Como o valor do reajuste do salário dos professores?
F: O Sinasefe reivindica um reajuste urgente de 14,67%, 10% do PIB destinado à educação e que se retomem as negociações para as mudanças das carreiras. (link para a pauta aqui) Note que a reestruturação da carreira vem sendo prometida desde o segundo governo do Lula. E a meta era equiparar o magistério federal às carreiras da Ciência e Tecnologia. Olha isso aqui e veja a disparidade dos ganhos dos professores com os de outras carreiras que demandam MENOS QUALIFICAÇÃO no Serviço Público Federal.

R: Quantos campi (incluindo ensino médio, técnico e superior) já aderiram à greve?
F: De acordo com o informe do Sinasefe, cerca de 220 campi, mas eu descobri que eles contam o Pedro II como um único campus e se você considerar cada unidade do Pedro II um campus, o número pula pra 233.

R: Como as autoridades estão vendo uma das maiores (ou a maior) paralisação da rede federal de ensino da história?
F: Ótima pergunta. O Haddad (Ministro da Educação) veio negociar diretamente com o Sinasefe, marcou uma reunião na quarta passada e foi muito solícito com a pauta de reivindicações que não diz respeito à questão salarial e de verbas. Diz ele que o MEC não tem ingerência sobre questões de orçamento, que são do encargo do MPOG. No MPOG, o encarregado de negociar salários com servidores é um tal Duvanier que foi da CUT (Central Única dos Trabalhadores), e cuja palavra de ordem é dizer que "não negocia com grevista". Isso em um governo liderado por um partido que diz ser dos trabalhadores... No momento, o MPOG abriu uma janelinha, acredito que por pressão do MEC, pra negociar com a Conlutas, central sindical à qual o Sinasefe está filiado. Na verdade, tem coisas que estão rolando em Brasília neste momento. Hoje o Sinasefe se reuniu com o MEC e a Conlutas com o MPOG, e claro, há a questão dos técnico-administrativos da Educação, que até agora não receberam proposta nenhuma do governo.

R: E a questão da expansão demasiada de campus sem infraestrutura da rede IF? Fiquei sabendo que alguns não tinham nem prédio e outros estavam com o teto caindo, é verídica a informação?
F: Sim, esse do teto que caiu se não me engano é em Alagoas, Penedo. Sobre não ter prédio, deixe-me contar a história da minha admissão...
Eu fiz concurso pro IFRJ em 2006, ainda era CEFETEQ a instituição. Minha vaga era para Paracambi, mas no meu concurso tinha uma ou duas vagas pra São Gonçalo, onde eu acabei sendo lotado. Fui convocado no final de 2008 e tomei posse em janeiro de 2009. Quando cheguei em São Gonçalo, o "campus" era composto por TRÊS SALAS numa escola municipal, o Ernani Faria. Só no final daquele ano é que a prefeitura (depois de assinar um convênio em 2006 ou antes) cedeu um CIEP caindo aos pedaços pro IFRJ. O tal CIEP só ficou minimamente habitável em meados de 2010, e ainda estamos reformando salas...
Não estou contando nenhum segredo quando digo que o Campus Mesquita ainda funciona no Campus Nilópolis do IFRJ e que até um ou dois anos atrás o Campus Realengo também funcionava em Nilópolis. E isso no Rio de Janeiro, que está longe de ter a pior situação. Em Arraial do Cabo o campus também ficou por muito tempo dentro de uma escola municipal.

R: E a mídia, o que tem falado sobre a greve? Tem tido divulgação? Os grandes portais de internet, divulgaram?
F: Muito pouca. Digo, no interior a coisa é diferente, em Volta Redonda e Arraial do Cabo apareceram nos noticiários locais da Band e Globo, que eu saiba. Arraial fez manifestação em conjunto com o IFF, que tem Campus em Cabo Frio. No Rio de Janeiro o máximo que se vê é notícia na Internet e ainda assim falam como se a greve fosse exclusiva do Pedro II. O IFRJ tem um problema grave de divulgação. E claro, eu acho que a situação dramática do INES não teve divulgação o bastante. Tipo, querem acabar com a escola especializada em surdos e jogar os alunos deficientes em instituições despreparadas para recebê-los

R: Finalizando, gostaria de deixar alguma mensagem aos estudantes?
F: Em primeiro lugar, obrigado pelo apoio. O pessoal nos Campus onde eu trabalho, Maracanã e São Gonçalo, vem sendo fantástico. Em segundo lugar, tenham um pouco de paciência com essa coisa de greve. Eu já fui estudante, sei que isso complica todo o calendário (e como professor ainda mais) mas a gente sempre se recupera. E não se esqueçam de que se ainda existe Rede Federal de Educação Tecnológica (e Colégio Pedro II, colégios de aplicação e muitos etc) foi porque no passado o pessoal se mobilizou contra os abusos perpetrados por burocratas que em geral nem sabem direito o que é uma sala de aula. A Rede Federal de Educação Tecnológica não pode ser tratada como uma peça de propaganda por um governo que quer fingir que leva a Educação a sério

R: E ao governo, alguma mensagem?
F: Deixe-me ver... Vocês foram eleitos ara dar uma educação digna ao povo, não para cortar R$3,1 bi do orçamento da educação e não para dar cada vez mais dinheiro para os banqueiros. Tratem a Rede Federal de Ensino como ela merece ser tratada, e não a joguem ao descaso.

Roger Amaral: Enfim, muito obrigado pela sua entrevista, muito mesmo, e desejo uma boa negociação para vocês grevistas e que o cenário da rede federal de ensino mude
Francisco Aragão Azeredo: Muito obrigado, a ajuda do blog pode parecer pouca, mas é importante, e qualquer apoio, por mínimo que seja, é bem vindo.



A carta aberta à população sobre a greve da Rede Federal de Ensino pode ser lida aqui

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

E agora, Apple?

Estou me arrumando para sair, quando leio a seguinte notícia no G1: “Steve Jobs deixa comando da Apple”. Paro tudo, cancelo o compromisso e começo a escrever.

Isso mesmo. Hoje, 24 de agosto de 2011, Steven Paul Jobs deixou seu cargo de CEO da Apple. Em 2004, Jobs recebeu o diagnótico de câncer de pâncreas, o que fez com que se afastasse da diretoria por 6 meses em 2009, pois teve que fazer um transplante de fígado. Em sua carta de despedida, ele disse:

"Eu sempre disse que se dia não pudesse mais desempenhar minhas funções e preencher as expectativas como CEO da Apple, eu seria o primeiro a informá-los. Infelizmente, este dia chegou"

Seu sucessor na companhia será Tim Cook, personalidade que sempre foi vista como principal candidato a futuro CEO há tempo.

Steve deixa para trás a obra de sua vida, a Apple. Fundada em 1976 por Jobs e Steve Wozniak, deixou de ser uma empresa de garagem para se tornar a com maior valor de mercado do mundo. A empresa já passou por uma crise e quase foi à falência na década de 90, quando Steve estava fora da empresa. Com sua volta, ele pôs a empresa “de volta aos trilhos” e se tornou um dos maiores ícones da empresa e um dos maiores ídolos do mundo geek.

A maior dúvida que fica em nossas mentes é: “E agora, o que será da Apple?” muitos falaram: “Com a Microsoft foi o mesmo com a saída do Gates, mas não aconteceu nada.” mas a situação da maçazinha é difetente. Jobs era parte ativa da companhia, inclusive já li notícias de que ele ficava escondido atrás de arbustos para ver as pessoas nas Apple Stores. Ele participava de todo o processo criativo e de pesquisa, não era um simples CEO.

Hoje a Apple é o que é graças ao Steve, não só por sua fundação, mas também por seu renascimento e consagração. As apresentações, os produtos, tudo da marca é único, e espero que Tim Cook dirija a empresa como ela merece ser dirigida. Sentiremos saudades Titio Jobs, e desejamos saúde.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Google compra Motorola Mobility


Na manhã dessa segunda (15/08/2011) eu tive uma notícia que me deixou bastante excitado: Google compra Motorola. Bom, comprará. Deixa eu explicar essa notícia (ÓTIMA) pra vocês.

A nossa gigante de informática fechou um acordo em que compra a Motorola Mobility por US$ 12,5 bilhões (pouca coisa, não?). Todo o processo de aquisição da empresa deve ser finalizado entre o final de 2011 e o primeiro trimestre de 2012.

A aquisição mostra o quanto a Google pensa em investir em sua plataforma Android, já que a Motorola é a empresa que mais usa esse sistema e é uma marca mais que consagrada no ramo de telefonia celular. Outro motivo para a compra é o retorno da ascenção da marca nos últimos anos, tudo isso graças ao Android, como eu já tinha dito aqui no blog anteriormente.

Outra coisa que essa compra me faz pensar é que no futuro os Androids irão dominar o mundo, já que atualmente a plataforma é operada em mais de 150 milhões de aparelhos, produzidos por 39 fabricantes e vendidos em 123 países. Agora sim, vou explicar a vocês o porque da minha animação perante essa notícia.

Com a aquisição, os clientes da Motorola (eu sou assumidamente um deles) que usam Android terão uma atenção especial na hora de atualizações do sistema. Talvez alguns de vocês não saibam, mas como o Android é usado em vários tipos de hardware diferentes, a atualização fica a critério do fabricante do aparelho (a atualização do meu celular para o Android Froyo demorou cerca de 8 meses), o que atrasa bastante em muitos casos.

Apesar de tudo no ramo de tecnologia pessoal ser definido quase que exclusivamente pelo gosto do povo, a compra da Motorola Mobility pela Google, ao contrário do acordo Nokia + Microsoft (aqui) é um tiro mais que certo, uma receita para o sucesso.

E pensar que um dia aquele site de buscas inocente compraria uma divisão da primeira empresa que criou a telefonia celular...