quarta-feira, 23 de março de 2011

Vida de cão


Hoje vamos conhecer dois personagens muito especiais, o José e o Alfredo. O primeiro mora na rua, o segundo tem uma casa bastante confortável somente para ele.

José tentou por muito tempo conseguir trabalho, mas era rejeitado sempre. Com o tempo, ele não tinha mais reservas para pagar o aluguel do barraco em que morava na favela e teve de ir para a rua. Às vezes, ele conseguia uma vaga no abrigo para passar à noite, às vezes não.

Alfredo era bem-nascido, nunca tivera que se preocupar com trabalho. Na verdade, sempre teve pessoas que o faziam para ele, nunca precisou dormir ao relento ou se preocupar se conseguiria comer no dia seguinte. Ele tinha restaurantes que preparavam sua comida preferida especialmente para ele, enquanto nosso amigo trabalhador, que foi escanteado da sociedade, agradecia feliz o pão velho com queijo que o dono da padaria o dava vez ou outra.

Alfredo sempre tinha roupas novas, limpinhas, que comprava em lojas especializadas no seu público. José vestia uma camisa que ganhara de um político corrupto durante a campanha eleitoral e um short velho rasgado do lado há quase seis dias.

Quando Alfredo viajava, ficava em hotéis maravilhosos onde há vários especialistas para atender às suas necessidades e “fru-frus”, para José, o único meio de viajar era com a droga, e ele se recusava a experimentar.

Não pense você que José foi um vagabundo antes de ir para rua, ele estudou o máximo que pode para ter uma vida digna e sempre foi muito dedicado na escola, contribuía e ajudava seus amigos como podia. Já Alfredo, nunca assistiu a uma aula e não acrescentou nada à sociedade durante toda sua vida.

Uma certa tarde, José, que havia conseguido vaga no abrigo na noite anterior, tinha tomado banho, trocado de roupa e se alimentado, estava sentado à uma mesa em uma praça saboreando sua única refeição do dia, o pão velho com queijo, quando viu Alfredo passando do outro lado da rua e foi acometido por uma enorme inveja.

O problema disso tudo é que o Alfredo é um cachorro.

Eu concordo que os animais devem ser tratados com respeito, amados e tudo mais, mas eu só vou aceitar o Alfredo, no dia que nenhum homem ou mulher no mundo esteja sofrendo e jamais aceitarei que um cachorro seja mais importante que um ser humano.
Eu jamais maltratei um animal, mas uma pessoa que mantém um cachorro como o Alfredo está cometendo um crime contra a sociedade, contra a humanidade e deveria se envergonhar muito disso!

4 comentários:

  1. Quem realmente quer um cachorro,vai dar a vida que acha que ele merece,comparar animais à pessoas pra mim é um erro,uma vez que os dois tem naturezas distintas e nem sempre se escolhe gerar outro ser humano e a pessoa que dá essa vida para um animal escolhe isso e tem direito disso.

    ResponderExcluir
  2. É apenas uma questão de pontos de vista, Renata. Eu entendo seu raciocínio e sei que muitos compartilham dele, eu apenas acho que a comparação é valida sim, a partir do momento em que temos animais vivendo melhor que pessoas e por culpa de outras pessoas.

    ResponderExcluir
  3. muitas pessoas tratam seus animais assim mas não veem o que você vê,pois são situações diferentes,vc não chega pra um morador de rua e diz HAHAHAHA sofra enquanto meu cachorro vive muito melhor que vc.Simplesmente acabam as vezes nem pensando nisso.

    ResponderExcluir
  4. É exatamente isso que eu estava querendo mostrar. Que as pessoas não pensam que o dinheiro, o cuidado e o afeto empregados nesses animais poderiam ser empregados a outros seres humanos.

    ResponderExcluir