quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O Renascimento do Nordeste Brasileiro

A região Nordeste do Brasil vinha sofrendo, nas últimas décadas, com inúmeros problemas de saneamento básico, educação, saúde, transporte, tecnologia, sem falar na miséria. Como os governos pouco olharam para a região em questão, muitos nordestinos foram obrigados a procurar emprego e melhores condições de vida nos grandes centros urbanos, que começaram a crescer no início do século XX, devido à industrialização.

Contudo, devido ao grande fluxo migratório, os mercados de trabalho escolhidos por esses migrantes ficaram saturados. E quando chegavam, devido à baixa qualificação, tinham que encontrar empregos cujos salários eram medíocres. Isso levou ao surgimento e crescimento das favelas, que ainda são um desafio para o atual governo.

Entretanto, hoje, o Nordeste está completamente diferente. A região onde a colonização brasileira começou, já passou o Sul em matéria de investimentos estrangeiros e  a americana Ford investe na fabricação de jipes na Bahia e no Ceará, as Casas Bahia e o grupo Pão de Açúcar já abriram lojas em alguns estados do Nordeste e a estatal Eletrobrás também já faz investimentos na região, mas todas essas empresas reclamam da falta de qualificação.

A Eletrobrás, no Piauí, abriu um concurso público para preencher 30 vagas de engenheiro elétrico, mas apenas 3 pessoas se inscreveram, segundo dados do jornal “ O GLOBO”. A Fiat já criou um centro de formação, com o objetivo de qualificar os trabalhadores nas áreas de mecânica, eletrônica, pintura automotiva e funilaria.

Esse entrave está sendo resolvido com a migração de trabalhadores das regiões Sudeste e Sul do país. Como os mercados em suas cidades de origem se encontram saturados, ou os salários não são muitos bons, esses jovens engenheiros, eletricistas e até mesmo mestres de obras, com algum tipo de qualificação, estão encontrando empregos nos estados nordestinos, onde estão ganhando quase o dobro do que recebiam.

Sem falar no refluxo que está ocorrendo, onde nordestinos que haviam saído de sua terra natal, passaram a voltar para a mesma. Isso é ótimo, pois “enxuga” o grande número de pessoas concentradas nas grandes cidades, como Rio de Janeiro e São Paulo, fazendo com que o nosso extenso território nacional seja devidamente ocupado.

Mas o comodismo com essa compensação de mão de obra pode atrapalhar os investimentos de qualificação na região, já que a tendência desse novo fluxo é só aumentar, devido à grande necessidade do Nordeste de desenvolver-se. É uma faca de dois gumes, pois o fato resolve problemas, mas acaba criando outros.

A única chance, talvez, seria se estes novos migrantes permanecessem na região até o resto de suas vidas, pois seus filhos precisariam da mesma qualificação que seus pais tiveram. Ou seja, isso obrigaria o governo a investir pesado em educação na região, caso o contrário, outra fuga irá ocorrer.     

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