
Rio de Janeiro. Estávamos no carro eu, minha mãe e minha madrinha, a qual estávamos indo deixar em casa, em Duque de Caxias. Tudo bastante tranquilo, havia sido uma manhã agradável e tal, mas só até o momento em que dobramos a esquina da rua dela.
Polícia. Polícia no morro. Mas tudo bem, as coisas pareciam estar calmas, havia três policias armados com fuzis e mais duas viaturas na rua, mas nada de confronto com os bandidos. Pareciam. No momento em que paramos o carro na porta da casa, ouvimos o primeiro disparo. Estávamos a vinte metros do policial do nosso lado da rua, bem na linha de tiro.
O policial do nosso lado nos mandava ir embora, minha madrinha fechava a porta do carro abruptamente, isso enquanto minha mãe fazia uma manobra de Need For Speed e nos tirava do lugar sem grandes complicações. Mas não é disso, de heroísmo ou de como sair de um tiroteio que isso se trata. É do que eu senti. Nada.
E eu não senti nada não por ser fodão ou porque “homem não tem medo”, foi simplesmente pelo costume. É uma cena tão normal que me pareceu apenas mais uma, minha mãe gritava desesperada para eu me deitar no banco traseiro e eu só dizia “calma”. Foi trivial. Foi normal. Enquanto conto isso a vocês, eu penso em como eu queria ter sentido medo, porque talvez isso fosse sinal de um lugar menos violento, de um lugar tranquilo, onde cenas como essa fossem temidas, como tudo aquilo que é novo, que foge da usualidade. Mas não senti.
Bem vindo ao Rio de Janeiro, bem vindo ao mundo!
Esse texto está em primeiro lugar no Top 3 (hahahahha) dessa semana, junto com o "A Culpa é do Futebol", deixando o meu texto sobre a revolução árabe em terceiro lugar.
ResponderExcluirParabéns, rapaz!