quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Desigualdades sociais: por quê?



Vivemos em uma sociedade extremamente desigual e essa diferença se expressa das mais diversas maneiras. Não é necessário muito esforço ao caminhar nas ruas para se achar mendigos dormindo sob viadutos ou marquises cobertos por folhas sujas de jornal. Uma pequena volta pelas grandes cidades do mundo e descobrimos favelas aonde pessoas literalmente se amontoam para tentar sobreviver em condições subumanas. Mas por que isso?


Uma das questões geradoras da desigualdade, se analisarmos a discriminação como fator de exclusão, é o gigante preconceito existente no mundo “antigo” contra os negros e os resquícios dele na sociedade moderna. Os brancos, sabe seu Deus o porquê, julgaram-se superiores aos seus irmãos africanos e começaram a tratá-los como ‘coisa’ e mesmo o fim da escravidão não pôs um fim a essa história


O documento abolicionista brasileiro, assinado em 1888, continha três linhas. Três únicas e cruéis linhas. Ele previa o fim da escravidão – o que era algo de suma importância, é verdade – e mais nada. Os negros estavam livres... O que isso representou na prática? Milhares de miseráveis, analfabetos, sem perspectivas de crescimento, ainda vistos como mercadoria por muitos que, por não saberem fazer mais nada, acabaram as vidas em suas antigas fazendas em troca de comida e teto ou foram formar as favelas do primeiro parágrafo.


Outro cofator da desigualdade é a concentração de rendas. Não é segredo para ninguém que a grande fatia da economia do nosso país retém-se nas mãos de uns poucos empresários, políticos, celebridades espontâneas sem talento, entre outros tantos ricos que gozam do luxo de uma vida de confortos e privilégios enquanto o sertão nordestino apresenta IDHs tão bons quanto os de países africanos, vítimas de um duplo golpe de desrespeito à vida em seus territórios.


Berço negro da Terra, a África teve seus melhores homens e mulheres arrancados dos braços de seus países e famílias para serem tratados como bichos em nossas terras. Homens de linhagem real tornaram-se coisa. Todo um continente foi devastado pela irracionalidade e falta de respeito dos seus irmãos (?) brancos. Como se já não bastasse a prática escravista que assolou a África até meados do século XIX, a partir do fim do tráfico de seres-humanos, outra crueldade foi imposta àqueles países historicamente humilhados. O imperialismo dos países capitalistas ricos e suas imposições sobre os fracos governos africanos, trataram de acabar de vez com a estabilidade no continente que hoje sofre com a miséria extrema, a fome, doenças e guerras civis que se arrastam desde o fim do século passado.


O homem consegue ser mau para o homem. O homem é bicho e, como bicho, talvez seja pensar o seu maior defeito. As maldades cometidas por nós contra nós mesmos em favor de interesses mesquinhos são responsáveis pelo mundo ruim que há lá fora. São as desigualdades – provocadas pelo nosso pensar ser melhor, estar fazendo o melhor, saber que não está e mesmo assim fazê-lo – mencionadas anteriormente que causam a criminalidade e a própria maldade que é fruto da vingança social da maldade dos homens antigos.


Respondendo a pergunta chave desse texto, o porquê das desigualdades sociais é o próprio homem indo em favor dos seus interesses e contra o homem. É o homem transpirando o que há de pior nele. Nós somos os responsáveis e somos nós que temos a obrigação de corrigir isso.

3 comentários:

  1. mesma fotinha do slide do meu prof kkkkk

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  2. "Três únicas e cruéis linhas."
    Não acho que linhas que fizeram os escravos serem libertados sejam cruéis, mesmo que essa liberdade tenha continuado menos intensamente a posição inferior do negro na sociedade.

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  3. Lendo seu comentário, devo admitir que meu comentário acerca do assunto foi infeliz e que tens toda a razão, Anônimo. Desculpem-me os que lêem pelo equívoco e gostaria de deixar claro que foi apenas um deslize na hora de escrever em busca de palavras fortes. Obrigado.

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