
O preconceito é uma doença social enraizada na nossa cultura. Existe uma série de fatores e acontecimentos históricos que levaram a isso, desde o momento em que os portugueses colocaram os pés nessa terra, há preconceito aqui.
A primeira manifestação desta doença ocorreu com aqueles que chamamos de índios. Os verdadeiros senhores deste rincão. Quando os lusitanos aportaram suas caravelas na Ilha de Vera Cruz e foram, segundo a história, recebidos por um grupo de nativos trajando nu, conceberam que aqueles homens tratavam-se de seres inferiores e impuros. Houve então a escravização destes nativos ao longo dos anos subsequentes, bem como sua aculturação a ideologia de vida portuguesa, inclusive com sua forçada mudança de religião para o cristianismo europeu. Aqueles que resistiram, bem como sua cultura, só existem hoje em sítios arqueológicos que se multiplicam pelo território brasileiro.
Assim, o litoral foi dominado, pois não vejo como descrever o que houve com os nativos se não isso. E aos poucos, com as bandeiras e a expansão para o interior, a massacrante maioria indígena foi dizimada. Hoje não restam muitos para contar sua história, e menos ainda que a conheçam.
Depois dos índios, vieram os negros. Tratados como animais, coisas, os homens, mulheres e crianças que vinham da África eram obrigados a trabalhar por nada em terras brasileiras para gerar riqueza a Portugal. Nessa época, a Colônia crescia a olhos vistos e não demoraria tanto para que se libertasse da Metrópole, mas não da praga da escravidão e muito menos do preconceito.
Esses homens, que foram privados do único e real bem de todos, a liberdade, foram parte fundamental, indispensável na construção do Império do Brasil e eram necessários para a sua manutenção, mas a escravidão não poderia durar para sempre. Em 1888 é abolida a escravatura e no ano seguinte, não por acaso, proclamada a República.
Porém, a Lei Áurea foi cruel. Ela declarou o fim da escravidão. E somente o fim da escravidão. Não previu um benefício, um auxílio, uma forma de instrução, um caminho para aqueles ex-escravos que não possuíam nem mesmo roupas. Como começar uma vida em um país que te odeia por ter a cor que você tem sem um centavo furado? Era impossível. E a maior parte destes homens livres, voltou a trabalhar nos mesmos latifúndios, fazendo as mesmas coisas que antes.
Os herdeiros dessa herança ingrata sofrem até hoje. Já se foram quase 123 anos desde aquele 13 de maio, mas fora a liberdade, para muitos a situação é a mesma. O preconceito ainda existe na nossa imensa e democrática economia, onde homens brancos ganham mais que mulheres brancas, que ganham mais que homens negros, que ganham mais que mulheres negras que fazem o mesmo trabalho, com a mesma capacidade.
Nosso país cresceu às custas do preconceito, foi ele quem suou sangue por nada para construir essa nação que nos dá tanto orgulho quando ganha uma Copa do Mundo. O Brasil é maior que isso; e o povo brasileiro precisa se conscientizar que ele - também- é maior que isso.
É incrível ver que, depois de tantos anos, essas feridas ainda não estão completamente cicatrizadas...
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